sexta-feira, 31 de maio de 2013

Pensamento, Palavra e Ação: Fontes da Virtude Maçônica. Praticando o Amor Fraternal – Parte I



A prática da VIRTUDE[1] é a verdadeira passagem para o Paraíso. O crescimento espiritual se dá através da prática continuada da virtude, aplicando-se as regras morais, principalmente àquela ensinada pelo Grande Mestre Nazareno:

“O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.”[2] 

Teria Jesus substituído os Mandamentos inscritos por Jeová, no monte Sinai, na Tábua da Aliança em número de dez? Na verdade não, o que Jesus ensinou é que o maior de todos os Mandamentos, o que permite que não cometamos erros (ou pequemos na visão da religião), é a prática continuada da Virtude, através do amor ao próximo, ou a fraternidade.

Somos recebidos na Maçonaria como Pedra Bruta. Nesta condição, somos homens onde impera a matéria sobre o espírito, sufocado pelos vícios e erros comuns de quem vive numa sociedade que propugna pela vida desregrada, individualista e consumista. Assim recebidos como “homem-material”, precisamos “descascar” nosso ser destes vícios e erros, para que renasçam em nós as Virtudes inatas ao ser humano, tal qual fomos dotados pelo Grande Arquiteto do Universo.

Temos a concepção de que o homem nasce com o seu próprio feixe de virtudes. Assim, as virtudes fariam parte de seu Ser, e o trabalho que devemos executar em nós mesmos, seria o de fazer “eflorescer” estas Virtudes, eliminando os vícios e erros. Por isso a alegoria alquimista[3] da Pedra Bruta. Para nos tornarmos uma Pedra Polida (ou seja, livre das imperfeições mundanas), precisamos “lapidar” esta Pedra (que é o nosso Ser) usando as ferramentas da prática continuada do “Âgape”[4] com as alegóricas ferramentas que a maçonaria nos oferece, como o Maç.´. e o Cinz.´..  Praticamos desta forma a “Alquimia Social”, transmutando o “homem-material” no “homem-moral”, símbolo da elevação moral, corresponde à pedra filosofal da construção espiritual, que constitui a grande obra ou o aperfeiçoamento individual, que conduz a um estado superior.

É o único sólido que pelo seu paralelismo e a retidão das suas faces, deve ser bem aproveitados a bem da humanidade, daí sua importância no simbolismo maçônico. Representa também o Mestre maçom, e o ideal de perfeição e retidão humana.

O cubo (Pedra Polida ou Cúbica) também representa o homem ajustado, isto é, aquele que conseguiu equilibrar seus éteres (camadas mais sutis), aliados com seus sentidos físicos equilibrados.

O Amor Fraterno (Ágape), incondicional, divino, auto sacrificante, de grande afeição pelo próximo, além de ser um preceito Bíblico, está contido em quase todas as religiões e filosofias praticadas pelo homem desde os mais remotos tempos. Os hebreus já declaravam o amor fraterno, e vivenciavam este princípio como vemos em Salmos:

“Vivifica-me, ó SENHOR, por amor do teu nome; por amor da tua justiça, tira a minha alma da angústia”.[5]
“Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união.”[6] 

Jesus, posteriormente, declara de forma insofismável que o crescimento, a sublimação do homem, é o Amor Fraterno. Aliás, o único mandamento que deixou como legado: Ama teu próximo, assim como Ele os amou e deu a própria vida para libertá-los. Paulo de Tarso, em sua carta aos Romanos, nos ensina:

“O amor seja não fingido. Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem.
Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.
Não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor;
Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração.”[7]

Algumas orientações importantes nesta mensagem, que podemos entender e aproveitar:

1. Amor verdadeiro não é fingido. A Fraternidade precisa ser “vivida”, “sentida”, não apenas expressada, falada. É comum em nossa Ordem nos chamarmos de IIr.´. e na prática, não exercermos a verdadeira fraternidade

2. Lutar contra o mal, ou seja, os vícios e erros que nos aviltam e praticar o bem, são duas ações importantes no crescimento do maçom;

3.  Devemos cuidar das coisas do espírito. A vida na sociedade, o mundo moderno, nos leva à materialidade. Não é fácil encontrarmos tempo para a reflexão, a busca interior, a conversa com nosso Grande Arquiteto;

4. Todos nós, em maior ou menor grau, temos problemas, tribulações. Sejamos tolerantes frente a estas dificuldades, busquemos na “oração”, na reflexão, no contato com nosso “eu interior”, a força necessária para vencer estas tribulações. Devemos ter “fé” e “esperança” na superação de nossas dificuldades, sejam materiais, financeiras ou de saúde. A , a Esperança e a Caridade, são as nossas Virtudes Teologais, presentes na Esc.´. de Jac.´. como vemos no Painel do A.´. M.´.. A Fé é a Sabedoria do espírito, sem a qual o homem nada levará a termo. A Esperança é a Força do espírito, amparando-o e animando-o nas dificuldades que encontra, a cada passo, no caminho da existência. A Caridade é a Beleza que adorna o espírito e os corações bem formados, fazendo com que neles se abriguem os mais puros sentimentos humanos.

No excerto bíblico 1ª Coríntios 13:13, apresenta-nos a seguinte citação: "Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor".

A temática do amor é comum a quase todos os filósofos gregos, entendido como um princípio que governa a união dos elementos naturais e como princípio de relação entre os seres humanos.

A noção de amor é central no pensamento platônico. Em seus diálogos, Sócrates dizia que o amor era a única coisa que ele podia entender e falar com conhecimento de causa. Platão compara-o a uma caçada (comparação aplicada também ao ato de conhecer) e distinguia três tipos de amor: o amor terreno, do corpo; o amor da alma, celestial (que leva ao conhecimento e o produz); e outro que é a mistura dos dois. Em todo caso o amor, em Platão, é o desejo por algo que não se possui.

Depois de Platão, entretanto, só os platônicos e os neoplatônicos consideraram o amor um conceito fundamental. Em Plutarco o amor é a aspiração daquilo que carece de forma (ou só a tem minimamente) às formas puras e, em última instância, à Forma Pura do Bem. Em "As Enéadas", Plotino trata do amor da alma à inteligência; e na sua Epistola ad Marcelam, Porfírio menciona os quatro princípios de Deus: a fé, a verdade, o amor e a esperança. No pensamento neoplatônico, o conceito de amor tem um significado fundamentalmente metafísico ou metafísico-religioso.

Voltando aos conceitos iniciais, somos Pedra Bruta em processo de lapidação, em busca da sublimação espiritual, através do aperfeiçoamento intelectual e moral, pelo amor fraternal e pela prática da Virtude. 

Detalhamos isso com profundidade nas linhas anteriores. Agora precisamos pontuar outros conceitos importantes, muitas vezes esquecidos, de como se dá este processo de aperfeiçoamento.
Como se estrutura o processo do agir humano? O Homem se expressa através do Pensamento, da Palavra e da Ação propriamente dita.

Pensamento e pensar são, respectivamente, uma forma de processo mental ou faculdade do sistema mental. Pensar permite aos seres modelarem o mundo e com isso lidar com ele de uma forma efetiva e de acordo com suas metas, planos e desejos. Palavras que se referem a conceitos e processos similares incluem cognição, senciência, consciência, ideia, e imaginação. O pensamento é considerado a expressão mais "palpável" do espírito humano, pois através de imagens e ideias revela justamente a vontade deste.

O movimento de fenomenologia na filosofia viu uma mudança radical na forma como entendemos o pensamento. A análise fenomenológica de Martin Heidegger da estrutura existencial do homem em Ser e Tempo lança uma nova luz sobre a questão do pensar, trazendo inquietação à cognição tradicional ou às interpretações racionais do homem que afetam o modo como entendemos o pensamento.

A filosofia da mente é um ramo de ideias da filosofia analítica moderna que estuda a natureza da mente, os eventos mentais, funções mentais, propriedades mentais, consciência e seus relacionamentos com o corpo físico, particularmente o cérebro. O problema mente-corpo, isto é, o relacionamento entre a mente e o corpo, e comumente visto como a questão central da filosofia da mente, apesar de haver outras questões envolvendo a natureza da mente que não envolvem sua relação com o corpo físico.

O problema corpo-mente se preocupa em explicar a relação que existe entre a mente, ou processo mental, e o estado ou processo do corpo. O principal objetivo dos filósofos que trabalham nesta área é determinar a natureza da mente e dos estados/processos mentais, e como - ou mesmo se - a mente é afetada pelo corpo e pode afetá-lo.

Nossas experiências perceptíveis dependem dos estímulos que chegam nos nossos vários órgãos sensoriais do mundo exterior e esses estímulos causam mudanças no nosso estado mental, nos fazendo sentir algo, o que pode ser bom ou ruim. O desejo de alguém por uma fatia de pizza, por exemplo, tende a fazer com que esta pessoa mova seu corpo de uma maneira e direção específica para obter o que ele quer.

A questão é, então, como pode ser possível que experiências conscientes surjam de uma massa de matéria cinzenta dotada de nada além de propriedades eletroquímicas. Um problema relacionado é o de explicar como as atitudes proposicionais de alguém (por exemplo, crenças e desejos) podem causar que os neurônios desse indivíduo trabalhem e seus músculos se contraiam exatamente da maneira correta. Esses são alguns dos enigmas que têm sido enfrentados por epistemólogos[8] e filósofos da mente desde pelo menos o tempo de René Descartes[9].

O Pensamento, biologicamente, é um processo eminentemente neural. Um neurônio (também chamado de célula nervosa) é uma célula excitável no sistema nervoso que processa e transmite informação por sinais eletroquímicos. Pois bem, se são sinais eletroquímicos, podemos dizer que devem produzir ondas eletromagnéticas que ultrapassam a “caixa” física que as produzem. De outra forma, o nosso pensamento “voa” além de nosso corpo físico, seja em dimensões atemporais (ver, por exemplo, a Teoria das Cordas[10] ou o “buraco de minhoca”[11]), seja em nossa própria dimensão, “sintonizando” com outras mentes que estejam (sob ponto de vista de vibração)  alinhadas com o cérebro que produziu a onda. O fato de não enxergarmos as ondas de TV ou Rádio, por exemplo, não significam que não existam. Elas estão presentes em nossa volta, transpassando nosso corpo a todo instante, sem percebê-las e sem senti-las. Entretanto basta um receptor com um potenciômetro de frequência para que passem a captar a onda. Com um conjunto de componentes eletrônicos que o decodifiquem, poderemos ouvir o som produzido ou “enxergar” a imagem. Assim também funciona com o pensamento. Se tivermos a capacidade de nos “alinharmos” com a mente que produziu o pensamento, poderemos ler o mesmo. Por outro lado, os nossos pensamentos podem “viajar” até onde desejarmos, desde que tenhamos prática e disciplina. São o que chamamos de formas-pensamento.

Segundo a teosofia[12] formas-pensamento são criações mentais que utilizam a matéria fluídica ou matéria astral para compor as características de acordo com a natureza do pensamento. Deste ponto de vista podemos criar formas-pensamento, com características boas ou ruins, positivas ou negativas. As formas-pensamento são supostamente criadas através da ação da mente sobre as energias mais sutis, criando formas que correspondem a natureza do pensamento gerado. Segundo C. W. Leadbeater[13], em seu livro Compêndio de Teosofia descreve-o da seguinte forma:

"Quando um homem dirige o pensamento para um objeto concreto, uma caneta, uma casa, um livro ou uma paisagem, forma-se na parte superior de seu corpo mental uma pequena imagem do objeto, que flutua em frente ao seu rosto, ao nível dos olhos. Enquanto a pessoa mantiver fixo o pensamento sobre o objeto a imagem vai permanecer, e persiste mesmo algum tempo depois.
O tempo de duração desta imagem dependerá da intensidade e também da clareza do pensamento. Além disso, essa imagem é inteiramente real e poderá ser vista por aqueles que tenham desenvolvido suficientemente a visão de seu próprio corpo mental. Do mesmo modo como ocorre com os objetos, quando pensamos em um dos nossos semelhantes, criamos em nosso corpo mental o seu retrato miniaturizado.
Quando o nosso pensamento é puramente contemplativo e não encerra um determinado sentimento como a afeição, inveja ou a avareza, nem um determinado desejo, como por exemplo, o desejo de ver a pessoa em quem pensamos, o pensamento não possui energia suficiente para afetar sensivelmente essa pessoa."

Afirma ainda a Teosofia de C. W. Leadbeater[14]:

"Cada pensamento produz uma forma. Quando visa uma outra pessoa, viaja em direção a essa. Se é um pensamento pessoal, permanece na vizinhança do pensador. Se não pertence nem a uma, nem a outra categoria, anda errante por um certo tempo e pouco a pouco de descarrega, se desfazendo no éter.
Cada um de nós deixa atrás de si por toda parte onde caminha, uma série de formas-pensamentos. Nas ruas flutuam quantidades inumeráveis. Caminhamos no meio deles.
Quando o homem momentaneamente faz o vácuo em sua mente, os pensamentos que lhe não pertencem o assaltam; em geral, porém, o impressionam fracamente. Algumas vezes, todavia, um pensamento surge e atrai a sua atenção de um modo particular. O homem comum se apodera-se dele e o considera como coisa própria, fortifica-o pela ação de sua própria força, e, por fim, o expele em estado de ir afetar outra pessoa. O homem não é responsável pelo pensamento que lhe atravessa a mente, porquanto pode não lhe pertencer. Porém, torna-se responsável quando se apodera de um pensamento e o fixa em si e depois o reenvia fortalecido."

Nossos pensamentos geram forma. Podemos praticar o bem e o mal, dependendo de como construímos os nossos pensamentos em nosso “corpo mental”. Influenciamos assim, a partir de nossos pensamentos o nosso “corpo atral”[15] e, consequentemente, o nosso “corpo espiritual” que nada mais é do que nossa alma ou espírito. Mas o que é mais importante: Além de influenciarmos o nosso corpo astral, também influenciamos o de outras pessoas a quem dirigimos os nossos pensamentos. Por isso, não apenas a ação deliberada pode trazer benefícios ou malefícios a outrem, mas os pensamentos também.

Mas se imaginamos que isto se dá somente no campo da hipótese dogmática da Religião, ou da pseudociência da Teosofia, ao ainda na filosofia rosacruziana ou da maçônica, vejamos o que pensa a neurociência.

Escreve Rogério Martins, num artigo intitulado “Somos o que pensamos”[16]:

O que a neurociência vem comprovando cientificamente hoje e os psicólogos estudam há anos, já era verdade a mais de mil anos em outras culturas: somos o resultado do que pensamos!
No filme “Quem somos nós?” há muitas referências da física quântica para comprovar a máxima de que nossos pensamentos influenciam a vida que temos. Ken O’Donell, em Caminhos para uma consciência mais elevada, afirma: “Se tenho pensamentos positivos, movo-me numa direção positiva. Se tenho pensamentos negativos, movo-me numa direção negativa. Se não tenho nenhum pensamento, não vou a lugar nenhum.”
Quando penso - “sou gordo e não há jeito para emagrecer” - sem dúvida estarei reafirmando esta condição e me resignando com ela. Minhas atitudes serão compatíveis com este pensamento. Continuarei comendo, pois nada que fizer irá me tirar desta condição: de gordo. Este exemplo poderá ser utilizado no trabalho, nos relacionamentos, no ensino, na carreira, na busca por um emprego etc.
Por isso, fique mais atento aos seus pensamentos. Anote tudo o que vem a sua mente no dia-a-dia. Como um diário. Escreva:
Como eles ocorrem?
Que tipo de pensamento é mais frequente?
O que surge em primeiro lugar em sua mente quando tem um problema?
Como você reage quando é elogiado por alguém?
Como se sente no trânsito congestionado, numa reunião chata e numa roda de amigos que só falam bobagens?
Depois faça a seguinte experiência: durante uma semana procure pensar positivamente sobre tudo que acontece a sua volta. É difícil, mas é um exercício extremamente interessante.
Antes de sair de casa visualize um dia fantástico. Ao participar dos diversos eventos diários tenha sempre em mente o lado positivo das coisas. Mesmo quando algo não sair como esperava, busque o lado positivo.
Tente se relacionar com as pessoas que conhece e não conhece de modo menos defensivo e reativo. Pare antes de reagir a uma provocação e lembre-se deste exercício. Quando sentir raiva por alguma razão tente controlar os pensamentos e atitudes. Enfim, fique atento a seus pensamentos e ações, buscando constantemente elevá-los para o lado positivo.
No início poderá ser mais complicado, pois não temos este hábito. A vida moderna nos torna cada vez mais competitivos, reativos e impacientes. Mas persista, ao menos por uma semana. Ao final dela faça um levantamento de como se saiu. Como reagiu às adversidades? Como se sentiu nas situações que passou? Como as pessoas reagiram? Gostou da experiência? Houve alguma situação onde não conseguiu ter controle? Percebeu alguma mudança em você mesmo e nos outros?
Não recomendo fazer o exercício contrário, pois o resultado poderá ser realmente negativo. Não há necessidade de experimentarmos algo que não nos faz bem.
O fato é que ao modelarmos positivamente nossos pensamentos teremos condições de lidar com tudo que vivemos de forma mais gratificante e produtiva. Sentimo-nos melhores. As pessoas ao nosso redor também sentem e passam a reagir conforme nossas atitudes. É a base para o comportamento operante. Os estudos da Psicologia Comportamental demonstram que podemos condicionar nosso próprio comportamento e dos demais com as atitudes que queremos.
Por isso, não basta apenas pensar positivamente para ter algum resultado prático. É necessário agir. Ficar sentado durante horas apenas pensando não trará o objeto de seu desejo. Contudo, quando começamos nossas atividades diárias emitindo pensamentos positivos, começamos de forma diferente, mais centrada, mais focada naquilo que realmente importa. Os fatores negativos continuarão existindo, porém não terão o mesmo efeito de quando estamos dispersos, deprimidos ou ansiosos.
Não há mágica, nem tampouco ilusionismo. Apenas somos o resultado daquilo que pensamos de nós mesmos. A base é simples: se quer ver alguma mudança em sua vida, comece mudando seus pensamentos. Pensamentos positivos nos levam a ações positivas. Ações positivas nos levam a hábitos saudáveis. Hábitos saudáveis nos levam a uma estrutura de caráter agradável, carismática e instigante. O caráter define quem você é, o que pensa e o que faz.
Então pense, reflita e promova pequenas ações em seu dia-a-dia. Deixe de lado os velhos e ineficazes paradigmas, dogmas e pré-conceitos. Experimente diariamente coisas novas. Abra sua mente para novas possibilidades. Arrisque! Desfrute as novas oportunidades. Comece pensando positivamente sobre você e tudo que está a sua volta.

Da próxima vez que for elaborar um pensamento. Cuidado!!! Podemos estar construindo pontes ou abismos.

E a palavra? Também tem essa força demonstrada pelo pensamento?

Analisaremos isso na Parte II deste artigo.



[1] Virtude (latim: virtus) é uma qualidade moral particular. Virtude é uma disposição estável em ordem a praticar o bem; revela mais do que uma simples característica ou uma aptidão para uma determinada ação boa: trata-se de uma verdadeira inclinação. Virtudes são todos os hábitos constantes que levam o homem para o bem, quer como indivíduo, quer como espécie, quer pessoalmente, quer coletivamente. A virtude, no mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem. Segundo Aristóteles, é uma disposição adquirida de fazer o bem e elas se aperfeiçoam com o hábito.
[2] João 15:12
[3] - Alquimia é uma prática antiga que combina elementos da Química, Antropologia, Astrologia, Magia, Filosofia, Metalurgia, Matemática, Misticismo e Religião. Existem vários objetivos principais na sua prática. Um deles seria a transmutação dos metais inferiores ao ouro.
[4] - Amor Fraternal. Essa palavra representava o amor divino, incondicional, com auto sacrifício ativo, pela vontade e pelo pensamento, embora esse amor Ágape também possa ser praticado por humanos, mas em grau bem inferior, obviamente, em função da imperfeição e limitações humanas. Os filósofos gregos nos tempos de Platão e outros autores antigos usaram o termo para denotar o amor a membros da família, de um grupo com afinidades, ou uma afeição para uma atividade particular em grupo, em contraste com philia, uma afeição que poderia ser encontrada entre amigos que praticavam tarefas assim, em conjunto e de forma assexuada, diferente do amor romântico eros, uma afeição de natureza sexual e romântica. No Sermão da Montanha Jesus diz: "Ouvistes dizer: 'amarás (ágape) teu irmão e odiarás teu inimigo', mas eu vos digo: amai (ágape) vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam, e orai por aqueles que vos perseguem e maltratam, pois deste modo sereis filhos de vosso Pai nos céus, aquele que faz com que o sol se levante sobre o mau e sobre o bom, e faz chover sobre o justo e sobre o injusto. Se amais apenas aqueles que vos amam, que recompensa tereis?"
Os escritores Cristãos descreveram geralmente o ágape, como exposto por Jesus, como uma expressão do amor que é incondicional e voluntário, isto é, não discrimina, não tem nenhuma pré-condição, e é algo que se decide fazer voluntariamente. O Apóstolo Paulo descreve o amor como segue: "O amor (ágape) é paciente, o amor é amável. Sem inveja, ele não tem ostentação, ele não é orgulhoso. Não é rude, ele não é interessado, ele não se irrita facilmente, ele não mantém nenhum registro dos erros. O amor não se deleita com o mal mas rejubila com a verdade. Protege sempre, confia sempre, sempre tem esperança, sempre persevera. O amor nunca falha.” (I Coríntios, 13, 4:8).
[5] - Salmos 143:11
[6] - Salmos 133:1
[7] - Romanos 12:9-12
[8] - Epistemologia: também chamada de teoria do conhecimento, é o ramo da filosofia que trata da natureza, das origens e da validade do conhecimento. Entre as principais questões debatidas pela epistemologia destacam-se: O que é o conhecimento? Como obtemos conhecimento? Como o ceticismo ajuda a humanidade a separar as crenças falsas das crenças verdadeiras e justificadas? Como defender os nossos modos de conhecer das investidas do pseudo-ceticismo?
[9] - René Descartes (La Haye en Touraine, 31 de março de 1596 – Estocolmo, 11 de fevereiro de 1651 ) foi um filósofo, físico e matemático francês.1 Durante a Idade Moderna também era conhecido por seu nome latino Renatus Cartesius. Notabilizou-se, sobretudo por seu trabalho revolucionário na filosofia e na ciência, mas também obteve reconhecimento matemático por sugerir a fusão da álgebra com a geometria - fato que gerou a geometria analítica e o sistema de coordenadas que hoje leva o seu nome. Por fim, ele foi uma das figuras-chave na Revolução Científica.
[10] - A teoria das cordas (ou teoria das supercordas) é um modelo físico cujos blocos fundamentais são objetos extensos unidimensionais, semelhantes a uma corda, e não pontos sem dimensão (partículas), que eram a base da física tradicional. Por essa razão, as teorias baseadas na teoria das cordas podem evitar os problemas associados à presença de partículas pontuais (entenda-se de dimensão zero) em uma teoria física tradicional, como uma densidade infinita de energia associada à utilização de pontos matemáticos. O estudo da teoria de cordas tem revelado a necessidade de outros objetos que não propriamente cordas - incluindo pontos, membranas e outros objetos de dimensões mais altas. O interesse na teoria das cordas é dirigido pela grande esperança de que ela possa vir a ser uma teoria de tudo. Ela é uma possível solução do problema da gravitação quântica e, adicionalmente à gravitação, talvez possa naturalmente descrever as interações similares ao eletromagnetismo e outras forças da natureza. As teorias das supercordas incluem os férmions, os blocos de construção da matéria. Não se sabe ainda se a teoria das cordas é capaz de descrever o universo como a precisa coleção de forças e matéria que nós observamos, nem quanta liberdade para escolha destes detalhes a teoria irá permitir. Nenhuma teoria das cordas fez alguma nova predição que possa ser experimentalmente testada.
[11] - Em física, um buraco de verme ou buraco de minhoca é uma característica topológica hipotética do continuo espaço-tempo, a qual é, em essência, um "atalho" através do espaço e do tempo. Um buraco de verme possui ao menos duas "bocas" conectadas a uma única "garganta" ou "tubo". Se o buraco de verme é transponível, a matéria pode "viajar" de uma boca para outra passando através da garganta. Embora não exista evidência direta da existência de buracos de verme, um contínuo espaço-temporal contendo tais entidades costuma ser considerado válido pela relatividade geral. O termo buraco de verme (wormhole em inglês) foi criado pelo físico teórico estadunidense John Wheeler em 1957. Todavia, a ideia dos buracos de verme já havia sido proposta em 1921 pelo matemático alemão Hermann Weyl em conexão com sua análise da massa em termos da energia do campo eletromagnético.
[12] Palavra Teosofia é de origem grega, "theos" (Deus), e "sophos" (sabedoria), significando literalmente "sabedoria divina", ou "conhecimento divino". A Teosofia é um corpo de conhecimento que sintetiza Filosofia, Religião e Ciência. Embora essa afirmação não seja reconhecida universalmente, mas apenas por simpatizantes do ocultismo, pois creem que tanto hoje como na antiguidade, a Teosofia se constitui na sabedoria universal e eterna presente nas grandes religiões, filosofias e nas principais ciências da humanidade,1 e pode ser encontrada na raiz ou origem, em maior ou menor grau, dos diversos sistemas de crenças ao longo da história. A teosofia foi apresentada ao mundo moderno por Helena Blavatsky, no final do século XIX, e desde então vem sendo divulgada por teosofistas em diversos países . Com seu caráter interdisciplinar, a teosofia proporciona uma ponte entre as diversas culturas e tradições religiosas. Segundo Blavatsky, “Teosofia é conhecimento divino ou ciência divina.”
[13] Charles Webster Leadbeater (Londres, Inglaterra, 16 de fevereiro de 1847 — Perth, Austrália, 1º de março de 1934), foi sacerdote da Igreja Anglicana e Bispo da Igreja Católica Liberal, escritor, orador, maçom Grau 33, e uma das mais influentes personalidades da Sociedade Teosófica. Escreveu entre outros livros, a “Vida Oculta na Maçonaria”.
[14] - idem
[15] - Segundo os  rosacruzes, diz-se que o corpo de atral ou dos desejos,  tem uma densidade ainda inferior à do corpo vital, e é por meio dele que o homem exerce suas faculdades emocionais. Tal corpo amadurece no homem apenas na puberdade e tem a forma de uma esfera achatada, que circunda o corpo denso, sendo preso a este por meio do fígado. Após a morte, este corpo adquire a mesma forma do corpo denso durante a vida terrestre e permanece vivo por cerca de dois terços do tempo em que o indivíduo tenha vivido no mundo físico.
[16] - http://www.psicologia.pt/profissional/emprego/ver_artigo.php?id=190&grupo=1
Clique para ler mais...

terça-feira, 19 de março de 2013

A BUSCA DO FOGO INTERIOR, NOVO PARADIGMA CIVILIZACIONAL


Por Irm.´. Luis Genaro Ladereche Fígoli (Moshe)


Creio que o ser humano é dominado por um fogo interior. É o que os místicos chamam o nascimento de Deus na Alma humana. A descoberta deste fogo se dá, nas dobras do cotidiano da vida humana, não apenas no arrebatamento místico e não só na contemplação. A vida é generosa e toda a existência humana é animada por este fogo. A tarefa do pensador é remover as cinzas, desentulhar as memorias sepultadas lá dentro, para que cada um descubra este fogo que, às vezes, é um vulcão que explode na alma humana.
Suspeita-se que a nível mundial, está havendo uma volta na busca desta chama interior. Todos os movimentos místicos, espirituais e esotéricos dão conta que nós não temos só uma cultura material, do trabalho, da transformação do mundo, mas estão se fazendo exigências em relação ao mundo interior, ao ser humano em toda sua dimensão espiritual. Possivelmente esta direção aponte para um novo paradigma civilizacional, isto é, uma civilização não apenas centrada na dimensão material (que nós precisamos dela para atender as demandas humanas), mas também outras demandas mais profundas que são a sede de infinito do ser humano, a sua dimensão espiritual, e o outro lado da existência. É exatamente isto que se nota de forma quase exaltada, em todas as partes do mundo.
Não podemos matar o horizonte da esperança. Podemos perder a fé e continuar vivendo, mas nunca poderemos perder a esperança por uma sociedade melhor, mais justa e mais perfeita. E a busca inicia no eu interior. Na chama que nos anima, que é nossa alma. A construção social inicia-se na construção interior, ou ainda, na redescoberta deste fogo interior que anima nossa esperança e o nosso espírito.
É essa nossa busca principal na Maçonaria.


*Texto inspirado num discurso do Frei Leonardo Boff
Clique para ler mais...

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A Maçonaria e o Levante Republicano - A Proclamação da República em 15 de novembro de 1889


Antecedentes

Por Irm.´. Luis Genaro Ladereche Fígoli (Moshe)

Desde a transferência da corte portuguesa para a sua colônia americana (Brasil) em 1808 e a instalação do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves[1], em 1817, aliado ao pensamento liberal eclodido na Europa pós-Napoleão, a independência dos Estados Unidos da América, e os movimentos de independência nas Américas, o ideário republicano começou a se espalhar por todo o país, fortemente influenciado pela Maçonaria.

Em verdade, já antes disso, em 1789 ocorrera a Inconfidência Mineira, movimento de caráter autonomista, surgido em Vila Rica, causados pelo descontentamento gerado pelo abuso com que o Reino de Portugal explorava as minas da Capitania. Diante da tirania e da intransigência do governo português, um grupo de intelectuais iniciou a formular o sonho de autonomia, tendo como paradigma (obviamente) a independência dos EUA. Alguns estudantes mineiros, frequentadores de cursos universitários na Europa, foram iniciados na maçonaria francesa, por volta de 1776, e acabaram sendo influenciados pelo ideário da Revolução Francesa, profundamente inspirador da “nova” maçonaria especulativa. Dentre estes, os principais eram: José Alvares Maciel, José Joaquim da Maia e Domingos Vidal Barbosa. Maciel, inclusive participara dos movimentos maçônicos liderados por Francisco Miranda[2] interessados na independência dos países latino-americanos. Com a volta do grupo, logo, muitos intelectuais, militares e sacerdotes, participantes dos meios, ou das ideias liberais e libertárias da maçonaria, aderiram ao movimento, entre os quais o alfares Joaquim José da Silva Xavier, militar que pela sua atividade esporádica e adventícia na extração de dentes, foi alcunhado de “Tiradentes”.

Em que pese a lenda formada em torno deste personagem, não existe realmente documentação alguma que comprove que Tiradentes fosse maçom. Muitos autores, aproveitando-se do fato da documentação ter sido destruída pelos inconfidentes quando descoberta a insurreição, começaram a tirar conclusões precipitadas acerca da verdadeira participação de Tiradentes na maçonaria.  De certo é que, a bandeira que os inconfidentes imaginaram, continha um triangulo equilátero ou Delta, que é o símbolo máximo maçônico, circundado pelas palavras de um verso de Virígilio, “Libertas Quae Sera Tamen” (Libertade ainda que tardia). O fato da frase não ter sido colocada dentro do Triangulo, também tem significação maçônica, por um maçom sabe exatamente o que contêm dentro do Delta, não cabendo nenhuma outra palavra, frase ou letra.

Nos encontros secretos, convencionou-se fundar a República de Minas Gerais, mudar a capital de Vila Rica para São João del Rei, instalar uma Casa da Moeda, fábricas de ferro e pólvora, desenvolver a mineração e dar incentivo á participação da iniciativa privada (capitais privados). Tiradentes, levado pelo entusiasmo do movimento, segundo Calógeras, com “alma nobilíssima de dedicação ilimitada ao seu ideal e aos seus amigos[3], convencido do “credo de liberdade e de independência” tornou os planos que deveriam ser secretos, conhecidos por muita gente. Assim as confabulações que haviam iniciado em 1788, terminaram em Maio de 1789, com a prisão dos insurretos, após terem sido delatados por coronéis portugueses. Ao final do processo legal, os réus foram degredados[4], com exceção de Tiradentes, que tendo assumido a paternidade do movimento, foi condenado à morte por enforcamento e posterior esquartejamento, o que ocorreu de fato, em 21 de Abril de 1792, por isso comemoramos essa data como o Dia de Tiradentes em homenagem àquele que é considerado o primeiro herói brasileiro. Assim, antes de nascer, a Inconfidência havia desfalecido, porém, o seu ideário e principalmente, a brutalidade da repressão do império, marcou profundamente a opinião pública.

Todavia, a participação maçônica no movimento deve ser ressaltada, já que as ideias iniciais e o espírito de libertação chegaram a Minas na mala de homens iniciados na Maçonaria europeia. E este sentimento libertário iria se espalhar por todos os cantos do país, alguns anos depois, como veremos.

Na madrugada do dia 29 de Novembro de 1807, enquanto 50.000 soldados franceses e espanhóis invadiam as montanhas que separam Portugal de Espanha, a corte portuguesa embarcava com 10.000 ou 15.000 pessoas que acompanhavam o príncipe regente na fuga para a colônia luso-brasileira[5]. As 7 h da manha de um dia ensolarado em Lisboa, enquanto Napoleão se aproximava da capital, a nau Príncipe Real inflou as velas e começou a deslizar em direção ao Atlântico, levando a bordo o príncipe D. João VI, a sua mãe D. Maria I (a rainha louca), e os príncipes D. Pedro (o primeiro) e D. Miguel. O restante da família real estava dividida em outros três navios. Carlota Joaquina, a mulher do príncipe, viajava no Alfonso de Alburquerque[6]. Em que pese existam divergências sobre o real número de pessoas que fugiram de Portugal com a comitiva real, é importante dizer que nessa ocasião Lisboa tinha cerca de 200.000 habitantes, dando a real dimensão da operação empreendida. Viajaram pessoas da nobreza, conselheiros reais, militares, juízes, advogados, médicos, comerciantes, bispos, padres, damas de companhia e alguns milhares de passageiros não identificados catalogados. Junto à corte, veio também, a repressão à maçonaria.

Precisamos lembrar que já, em 1789, Diogo Inácio da Pina Manique acumulando as funções de desembargador, administrador da alfândega de Lisboa, administrador das calçadas e da iluminação da capital, Manique impedia a entrada de livros considerados perigosos e mandava fechar as lojas maçônicas, acusadas de promover o debate das ideias revolucionárias. Ao saber da abertura de uma loja maçônica na Ilha de Madeira, situada mil quilômetros ao sudoeste de Lisboa, Pina Manique enviou para lá um corregedor da intendência de polícia, com as seguintes instruções: “Aquele que você vir de sapatinho bicudo e muito brilhante, com presilhas nos calções, gravata por cima da barba, colarinho até meia orelha, cabelo rente na nuca e avolumado até a moleira, com suíças até os cantos da boca, agarre-o logo, tranque-o na cadeia carregado de ferros, até que haja navio para o Limoeiro: é iluminado ou pedreiro-livre”.[7]

Em 1818, talvez como repressão ao movimento Pernambucano (também inspirado na Maçonaria) e já com o monarca em território brasileiro, através do Alvará Real proibia "todas e quaesquer Sociedades Secretas, de qualquer Denominação que ellas sejam"  (no português arcaico da época). O referido Alvará Real é um documento importante na História da Maçonaria brasileira, porque a sua meta principal era, exatamente, a de proibir o funcionamento das ainda incipientes Lojas do território nacional, na época em que o Brasil era Reino Unido ao de Portugal e Algarve. Em 17 de junho de 1822 foi criada a primeira Obediência maçônica do Brasil, O Grande Oriente Brasílico, ou Brasiliano com a finalidade principal de lutar pela independência política do Brasil. Para que fosse fundado o Grande Oriente, a Loja Comércio e Artes, criada em 1815, inativa após o alvará governamental de 1818, que proibia o funcionamento das sociedades secretas, e que reerguida em 1821, foi dividida em três Lojas, daí resultando, além dela mesma, a União e Tranquilidade e a Esperança de Niterói.

A maçonaria cresceu em todo o país. Talvez não coincidentemente, pipocaram os movimentos republicanos regionais (como já havia ocorrido com Minas Gerais e sua Inconfidência Mineira em 1789 e da Revolução Pernambucana de 1817). Eclodiu a Confederação do Equador em 1824, quando a unificação do país, pós independência, encontrava resistências em muitas áreas do território nacional. Este movimento, remanescente da Revolução Pernambucana, e de inspiração maçônica, foi em oposição à prerrogativa do imperador de escolher, livremente, o Presidente da Província. O seu principal líder foi o Frei Caneca, também maçom, patriota destemido e culto, professor de filosofia, retórica e geometria, que era propagandista dos ideais republicanos. A insurreição foi combatida com violência, tendo sido preso o Frei Caneca e os outros lideres, sendo este fuzilado e os outros enforcados.

Posteriormente, em 1835, eclode a Revolução Farroupilha, no Rio Grande do Sul, motivado pela opressão tributária imposta pelo império àquela Província e pelo combate sistemático ao contrabando de gado, principal atividade dos latifundiários gaúchos. Aproveitando o ideário maçônico de libertação, independência e implantação de república, o movimento farrapo liderado pelo maçom Bento Gonçalves da Silva, após um ano de revolução e frente a uma estranha vitória[8] às margens do arroio Seival, no município de hoje Bagé, o comandante farrapo Antônio de Souza Neto, declara a Província de São Pedro independente do Império do Brasil. O que era para ser um movimento favorável à criação de uma federação no Brasil, transformou-se num movimento de  independência, que durou até 1845 com o armistício promovido pelo Duque de Caxias.

Voltando, o agitado período de transição de Reino Unido ao de Portugal e Algarves, existente desde 1815, para país independente, iria trazer intensas lutas políticas pelo poder, envolvendo o Grande Oriente, já que lá estavam dois grupos que aspiravam à privança do príncipe regente D. Pedro (depois imperador) e que desejavam comandar, politicamente a jovem nação independente: o grupo do Grão-Mestre do Grande Oriente, José Bonifácio de Andrada e Silva, ministro todo-poderoso da regência e figura internacionalmente conhecida, e o grupo do 1o. Grande Vigilante, Joaquim Gonçalves Ledo, político fluminense, que era, realmente, a maior liderança maçônica da época, mas não tinha o prestígio nacional e internacional do Andrada.

Nos primeiros dias após a proclamação da independência, de 7 de setembro de 1822, iam adiantadas as escaramuças entre os dois grupos, dentro do Grande Oriente, as quais culminariam com o golpe aplicado por Ledo, ao conseguir destituir Bonifácio do Grão-Mestrado, à socapa e fora de Assembleia Geral, empossando D. Pedro no cargo, a 4 de outubro de 1822. O troco seria no terreno político, com Bonifácio mostrando ao imperador que a luta da independência exigia um período de calmaria política interna, que estava sendo quebrada pelo grupo adversário, com exigências descabidas a D. Pedro e uma rede de intrigas, que poderiam minar a luta externa. As exigências descabidas eram: o juramento prévio de D. Pedro à Constituição ainda não votada e aprovada e a assinatura de três papéis em branco. Diante disso, enquanto José Bonifácio instaurava processo contra os membros do grupo de Ledo, D. Pedro enviava a este a ordem para fechar o Grande Oriente, o que aconteceria a 25 de outubro de 1822.

Durante praticamente todo o período restante do 1o. Império, as Lojas brasileiras permaneceram em recesso, só começando a ressurgir quando o cenário nacional caminhava para uma grave crise política, que iria levar, a 7 de abril de 1831, à abdicação de D. Pedro I em favor de seu filho, D. Pedro, então com pouco mais de cinco anos de idade, ao qual, alguns dias depois, ele escreveria uma carta, como se adulto fosse o herdeiro, plena de dramaticidade.

Em 1830, então, ressurgia a Maçonaria brasileira, com a criação do Grande Oriente Nacional Brasileiro, o qual ficou, também, conhecido como Grande Oriente da rua de Santo Antônio e, posteriormente, Grande Oriente do Passeio, em alusão aos locais em que se instalou, no Rio de Janeiro.

República

A implantação da República, em 1889, foi sem dúvida, a maior revolução de nossa História e não contou com a mobilização direta e oficial da maçonaria, como ocorrera em 1822, por ocasião da Independência, mas contou com a decisiva e eficiente participação dos maçons, civis e militares, e de muitas Lojas maçônicas, que se transformaram em verdadeiros clubes republicanos.

A ideia de um regime republicano nos meios maçônicos era antiga. Desde a emancipação do império, já havia uma facção maçônica favorável à implantação da República, liderada no Grande Oriente, por Gonçalves Ledo. A experiência dos demais países sul americanos era diferente da experiência brasileira. Lá, a independência havia ocorrido para a formação de uma república, aqui para a recriação de uma monarquia constitucional, mas uma monarquia. Todavia o grupo liderado pelo Gonçalves Ledo sabia que a República esbarrava na figura do Príncipe Regente Dom Pedro II e, também, do grupo ou facção maçônica que apoiava a monarquia, liderado por José Bonifácio de Andrada e Lima. Este lutava politicamente por uma independência que preservasse a união luso-brasileira, fundado na manutenção da monarquia  porém pretendia diminuir os poderes do Príncipe Regente em benefício da autoridade total da Constituinte de Lisboa, que fora instalada. Esta união, segundo o ideário de Bonifácio, não abdicaria da autonomia conquistada, numa política apoiada pelos proprietários, fazendeiros e comerciantes que desejavam a independência com um mínimo de modificações sociais e políticas, conservando-se a ordem estabelecida. Já Ledo e Cipriano Barata desejavam a imediata emancipação do pais, e procuravam a todo custo, precipitar a ruptura total com Portugal. Como?? Proclamando a República.

Apesar de ter prevalecido a tese de Bonifácio, já que a independência ocorreu em 1822 e passamos de um reino de Portugal para um reino do Brasil (monarquia então), e aparentemente ter pacificado o país em busca de uma unificação, além dos movimentos republicanos que eclodiram na sequência, como já nos referimos, a ideia do regime republicano era reacesa a cada nova crise política ocorrida no governo imperial.

O caldeirão foi fervendo até que, em 1870, com o manifesto republicano, liderado pelo maçom Joaquim Saldanha Marinho (na época Grão Mestre de uma facção dissidente do Grande Oriente do Brasil). Este manifesto que entre os seus signatários havia uma evidente maioria de maçons, foi redigido por outro maçom Quintino Bocaiuva, que viria a ser, posteriormente, Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil em 1901. O Manifesto Republicano foi assinado, em Itú, São Paulo, em 3 de dezembro de 1870.

Noutra banda, e quase no mesmo momento, era empossado como Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil, o visconde de Rio Branco, chefe do gabinete ministerial do Império, portanto, favorável à monarquia constitucional.

Nos anos seguintes ao manifesto, a par da grande campanha abolicionista (com grande participação maçônica) fervilha em todo o país o ideário republicano. Desemboca toda esta pressão, inicialmente, na chamada Convenção de Itú, em 1873, de inspiração maçônica, que foi considerada a primeira Convenção Republicana no Brasil, num ato que contou com a presença das principais lideranças políticas que trabalhavam pela instauração da República. Na convenção ficou estabelecida a fundação do Partido Republicano Paulista (PPP). Nesta convenção que apesar de ter sido realizada em São Paulo teve caráter nacional, dois destacados maçons e republicanos, chegariam posteriormente á Presidência da República: Campos Salles e Prudente de Morais.

Outro fato importante de desestabilização da monarquia, que redundou na República, fora a questão militar. Em linhas gerais, a questão militar constituiu uma série de atritos, ocorridos entre 1883 e 1889, entre os políticos e militares, causados pelo brio dos militares e pela inabilidade de políticos e ministros do império. Estes atritos iriam criar atmosfera propícia, nos últimos anos do regime imperial, para o levante militar final, o qual resultará na implantação do regime republicano. Com a morte de dois grande militares, Osório em 1877 e Caxias em 1880, os partidos saíram atrás de substitutos. Os liberais encontraram o general Correia da Câmara, visconde de Pelotas e senador pelo Rio Grande do Sul, enquanto os conservadores escolheram como líder o general Deodoro da Fonseca, maçom iniciado em 1873, na Loja Rocha Negra de São Gabriel no Rio Grande do Sul e que seria Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil.
Com o crescimento do movimento contrario ao império (que determinava algumas punições aos militares), Deodoro assina, juntamente com Pelotas, o manifesto “Ao Parlamento e à Nação” redigido por Rui Babrosa, onde eram definidos os pontos de vista da classe militar. Como consequência desta manifestação, em junho de 1887, era criado o Clube Militar, com Deodoro na presidência.

Apesar de toda essa movimentação, os chefes militares, com patente de major para cima, eram féis (e gratos) ao Imperador, por causa da Guerra contra o Paraguai que teria se mantido firme junto às forças armadas. Todavia os postos inferiores, preenchidos por jovens alunos das escolas militares não experimentavam a mesma fidelidade ao imperador. Pior, estavam altamente doutrinados por um professor de grande prestígio da Escola Militar, o maçom e positivista tenente coronel Benjamin Constant  Botelho de Magalhães que fazia aberta apologia do regime republicano e um dos mais ardentes críticos do governo imperial.

A questão militar atinge seu ápice, quando em 1887 os fazendeiros procuraram obter do governo, a colaboração dos militares para a caça dos escravos fugitivos. Através do Clube Militar, Deodoro e Benjamin Constant, enviam para a princesa regente D. Izabel, uma mensagem onde se solicita que o exército seja dispensado dessa missão vergonhosa e desumana. Esta atitude acirrou ainda mais as relações entre os militares e o governo.

A partir de 1887 quando o imperador, minado pela diabetes, ficava privado de sua antiga energia, fazendo prever um fim próximo, com a consequente ascensão da Princesa Isabel e seu marido o Conde D´Eu ao trono, estabeleceu-se uma rede secreta de intrigas persistentes de bastidores, contra a figura da princesa e do conde. Por outro lado, o imperador já havia declarado a todos os familiares que a família real jamais cogitaria lutar pela manutenção da coroa contra a vontade popular.

Preparado em segredo, nos meios militares e nas rodas republicanas, onde era expressivo o número de maçons em sua liderança, o levante deveria ocorrer em 20 de novembro de 1889. Nos dias 13 e 14 receando-se hesitações e dificuldades de última hora e com a circulação do boato (detectado pela inteligência do exército) de que o governo determinara a prisão de Deodoro, resolveu-se antecipar o levante para a madrugada do dia 15 de novembro, com a movimentação de tropas. Já no dia 10 de novembro, na casa de Benjamin Constant, havia sido decidida a queda do império.

Entretanto Deodoro era muito afeito ao Imperador. Amizade muito antiga. Não foi firme a sua intenção de derrubar a monarquia, preferindo que o Imperador terminasse seus dias, para providenciar um novo regime. Foi então que entrou em cena, novamente, o grande maçom e articulador do movimento, Benjamin Constant. Diante da vacilação de Deodoro, Benjamin teria alertado sobre o perigo que ele correriam daí por diante, com a sobrevivência do governo imperial, já que poderiam sofrer sanções, por sua rebeldia. O argumento mais poderoso, porém, foi a informação passada por Benjamin de que o imperador pretendia entregar a chefia do gabinete ao senador Silveira Martins, que apesar de maçom, era inimigo irreconciliável de Deodoro.

Assim foi, a república, proclamada sem derramamento de sangue. É certo que a queda do império e a implantação da república foi obra quase exclusiva de militares e de maçons, sem os quais, provavelmente o regime republicano demoraria mais algum tempo para ser concretizado e não seria, provavelmente, com o imperador vivo.

 Fonte:

Castellani, Jose – A Maçonaria e o Movimento Republicano Brasileiro;

Gomes, Laurentino – 1808;

Castellani, José – A Ação Secreta da Maçonaria na Política Mundial;

Boeira, Nelson – Império, Vol 2

Venancio, Renato e Del Priore, Mary – Uma Breve História do Brasil

Ladereche Fígoli, Luis Genaro – O Surgimento da Maçonaria no Brasil (artigo)

Ladereche Fígoli, Luis Genaro – A Revolução Farroupilha e a Maçonaria (artigo)

Wikipédia



[1] - Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves foi a designação oficial assumida em 16 de dezembro de 1815 à união do Reino de Portugal e do Algarve com o Estado do Brasil, devido à transferência da família real e da nobreza portuguesa para o Brasil. Tal aconteceu por ordem do então Príncipe-regente Dom João Maria de Bragança (futuro Rei Dom João VI), após as invasões francesas a Portugal. O Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves teve apenas dois reis. No entanto, o título de Príncipe do Brasil já era utilizado pelos herdeiros da Coroa Portuguesa desde 1634.O reino desmembrou-se com a independência do Brasil, a 7 de setembro de 1822, proclamada pelo filho do Rei Dom João VI, D. Pedro de Alcântara de Bragança (futuro imperador D. Pedro I do Brasil e Rei D. Pedro IV de Portugal). Tal episódio resultou na fundação do Império do Brasil, no mesmo ano - 1822, e, por conseguinte, no desmembramento do então território brasileiro do império ultramarino português.
[2] - Sebastián Francisco de Miranda Rodríguez (Caracas, 28 de março de 1750 — San Fernando, Cádiz, 14 de julho de 1816) foi um militar venezuelano, precursor da independência da América espanhola. Executou um malogrado plano de independência das colônias espanholas na América Latina, mas que se reconhece como precursor dos ideais de Simón Bolívar e Bernardo O'Higgins, assim como de outros combatentes americanos que conseguiram a independência em grande parte da região.Com a ajuda britânica, Miranda realizou uma invasão na Venezuela em 1806. Chegou ao porto de Coro, onde a bandeira venezuelana tricolor foi içada pela primeira vez. Entre os voluntários que serviram para esta rebelião, estava David G. Burnet, dos Estados Unidos, que seria mais tarde o presidente interino da República do Texas depois de sua separação do México em 1836. Em 19 de abril de 1810 a Venezuela iniciou seu processo de independência, pelo qual Simón Bolívar persuadiu Miranda a voltar a sua terra natal, onde lhe fizeram general do exército revolucionário. Quando o país declarou formalmente a independência, em 5 de julho de 1811, ele assumiu a presidência com poderes ditatoriais.As forças espanholas contra-atacaram e Miranda, temendo uma derrota brutal e desesperada, assinou um armistício com os espanhóis em julho de 1812. Bolívar e outros revolucionários acreditaram que sua rendição correspondia a uma traição às causas republicanas, e lhe frustraram a intenção de escapar. Entregaram Miranda ao exército real espanhol que o levou à prisão em Cádis, Espanha, onde morreu em 1816.
[3] - João Pandiá Calógeras (Rio de Janeiro, 19 de junho de 1870 — Petrópolis, 21 de abril de 1934) foi um engenheiro, geólogo e político brasileiro.
[4] - Degredado é um termo português para um condenado ao exílio, situação corrente nos séculos XV a XVIII.
[5] - Gomes, Laurentino - 1808
[6] - idem
[7] - idem página 84
[8] - Com o objetivo original de derrubar o presidente da província, apenas, os revoltosos gaúchos enfrentaram as tropas imperiais. Destacado por Bento Gonçalves, o coronel Neto deslocou-se, no início de setembro de 1836, à região de Bagé, onde se encontrava o comandante imperial João da Silva Tavares, vindo do Uruguai. A primeira brigada de Neto, com 400 homens, atravessou o arroio Seival e encontrou as tropas de Silva Tavares sobre uma coxilha, com 560 homens. Durante a tarde de 10 de setembro de 1836, Silva Tavares avançou sobre a coxilha, e os revoltosos defenderam-se usando lanças e espadas. Inicialmente houve pequena vantagem das forças imperiais, mas o cavalo de Silva Tavares, com o freio rebentado na peleia, disparou em velocidade, causando a impressão de fuga, mesmo entre seus comandados. A confusão entre eles foi aproveitada pelos cavaleiros de Neto, que atacaram com força redobrada. O resultado deste mal-entendido foi ficarem os revoltosos quase intactos, enquanto houve 180 mortos, 63 feridos e 100 prisioneiros do lado dos imperiais. Entre os prisioneios estava João Frederico Caldwell.
Clique para ler mais...

sábado, 6 de outubro de 2012

O que é Maçonaria? Palestra

 

Palestra proferida pelo Irm.´. Luis Genaro em encontro ecumênico na cidade de Tramandaí/RS, sobre a Maçonaria e a Paz, com a presença do médium Divaldo Pereira Franco. Clique para ler mais...

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

MAÇONARIA: O Sentido da Vida. Uma Jornada para a Felicidade



Vida é um tesouro precioso que a vontade Divina nos oferece.

A maneira como pensamos a vida é a condição primeira para que possamos traçar o rumo da nossa evolução, da nossa felicidade e da nossa paz, a famosa jornada para a felicidade.

O caminho é a felicidade. Felicidade não é o destino. Jesus não disse eu sou o destino, ele disse “eu sou o caminho, a verdade e a vida”. São os degraus de nossa evolução, para chegarmos a nosso objetivo.

Para medir a nossa evolução, precisamos saber:
  •  De onde saímos;
  •  Qual o caminho;
  •   Aonde queremos chegar.

Hoje, de maneira muito simples, vamos cuidar do primeiro passo. De onde saímos. 

Como uma árvore poderá ter inúmeros ramos, mas tem um tronco e uma raiz. Não queremos o fruto, queremos é a raiz, de onde viemos porque aonde vamos vai depender de cada um de nos.

Se verificarmos, a mais de 2400 anos, um pensador chamado Tales de Mileto[1] diz que a base da vida é a água. O planeta terra, nós mesmos, temos como composição celular 75% de água. De certa forma este pensador estava certo, pois a base da vida é a água.

Outro pensador Anaximandro[2] (+2400 anos atrás) dizia que a base da vida não é a água, é o ilimitado. Por quê? Muitas coisas têm limite, a altura das pessoas, o tamanho das coisas, etc. O amor tem limite?? Pode ser medido??

Seu discípulo Anaxímenes[3] dizia que a base da vida é o ar. O ar é tão importante para a conservação da vida humana que ninguém consegue se matar prendendo a própria respiração. O instinto de conservação vai falar mais forte e obrigar a respirar.

Outro pensador vai dizer que a base da vida é a Terra. Mergulhe no mais profundo do oceano, vai encontrar a terra. Onde você vive é a Terra. Já Empédocles[4] vai dizer que a base da vida é o fogo. “do Fogo viemos e ao fogo voltaremos”.

Encontramos assim os quatro elementos da natureza: Agua, Ar, Terra e Fogo, tão importantes na antiguidade e tão importante no entendimento dos fundamentos da maçonaria (vide Iniciação).

Pitágoras era um gênio da matemática. Vai morar no Egito e cria uma nova doutrina e torna-se o principal sacerdote, colocando a base da vida como sendo o número, ou a matemática. Ele, por exemplo, descobre a quinta e a sétima nota musical através de cálculos matemáticos. Ele descobriu a oitava que a primeira nota que se repete após a sétima num tom maior. Ele é o autor do Teorema de Pitágoras. Ele vai dizer que ´”AMOR É MATEMÁTICO”. Os mais novos devem lembrar o filme Matrix era uma somatória de  combinações matemáticas. O universo é matemático.

Outro pensador Heráclito[5] vai dizer que a base da vida é algo chamado “mudança”. Ninguém tomará banho de novo no mesmo rio. As águas serão outras. O universo está em movimento. Pegue um livro, leia-o duas vezes. Verá que percebe coisas diferentes. Um filme, igual. A base da vida é a mudança, é o movimento é o que faz a lei do progresso. É a base hoje melhor do que ontem e amanha melhor do que ontem....São os degraus da escada de nossa divina ascensão.

Heráclito foi pai de um filósofo e médico Hipócrates, do juramento da medicina. Para Hipócrates a base da vida é a saúde.

Talvez o melhor pensador de todos os tempos tenha sido Sócrates[6]. Tão importante fora, que a filosofia clássica se divide em antes e depois dele. Sócrates vai dizer que uma vida só vale a pena ser vivida se for pensada. Senão nós não vivemos, sobrevivemos. Pensar sobre a vida é muito importante. Dizem que ele era um homem com uma esposa muito problemática, por isso talvez tenha se dedicado com tanta ênfase a pensar.... Vamos dizer que não era uma acácia, era um cactos. Um homem tem uma luz interior, dizia Sócrates. Só que existe um véu embaçando a luz, e esse véu é a causa de todos os males da humanidade. Esse véu tem nome: a IGNORÂNCIA

Logo qual é o objetivo da filosofia? Arrancar o véu e fazer brilhar a sua luz!!!!! 

Essa frase tem mais de 2300 anos. É nosso segundo parto e talvez o maior e mais importante, a sensação que você vai ter arrancando o véu da ignorância, é o sofrimento, é a dor, dá trabalho. Mas a primeira experiência que você vai ter brilhando a tua luz, e conquistando a sabedoria, é uma felicidade que você nunca experimentou: Conhece-te a ti mesmo, foi a frase que Sócrates viu no Santuário de Delfus que deflagrou toda sua filosofia. O chamado AUTOCONHECIMENTO. 

Luz para os gregos é o que há de mais importante para o homem. Socrates vai falar que a luz não está mais com os Deuses, a luz está com você. Tanto que foi condenado a morte por sua filosofia. Ou seja, se seu destino pertencia aos Deuses, a partir daí passa a pertencer ao homem.

Estes sábios que citamos muito rapidamente servem para demonstrar que essa busca é antiga, importante e decisiva, para que nos consigamos cumprir nosso propósito de existência na terra que é ser feliz. Se não for feliz de nada adiantou nossa existência.

Para que dinheiro, por exemplo, se não traz felicidade. Dinheiro não compra amigos, compra companheiros de farra. Para conhecer os amigos, fique doente ou pobre, daí conhecerá o verdadeiro amigo. Dinheiro não compra saúde, compra tratamento.

Quando começamos a pensar nossa vida diferente, vamos pensando de uma maneira para que possamos estruturar a felicidade verdadeira e vivermos uma vida verdadeiramente feliz, sem as mesmices que vivemos no mundo. Desde criança somos ensinados a esperar a derrota. Quando algo da certo ficamos desconfiados. Pense e verá que é verdadeiro. Reflita.

Nosso papel é pensar positivamente a vida, é questão de opção escolher o caminho a seguir. Na vida tudo vai ser sempre opção. Vivemos decidindo a cada minuto, a cada segundo. Sempre teremos uma escolha. Ser feliz é uma escolha. Ninguém se torna infeliz da noite para o dia. Somos o somatório das decisões que adotamos. Somos não o que realmente somos, mas o que acharmos que somos. Se você acha que consegue vai à luta, e até se não conseguir, aprende com ele e faz do seu sucesso amanhã.

Mudar a maneira de pensar é o segredo. É o que fazemos na Maçonaria. É nisso que nos treinamos. É para isso que estamos aqui.

Cuide-se porque ser feliz é o melhor tesouro, o maior objetivo e o que dá sentido a nossa existência tornando-a verdadeira e significativa.

Pensando sobre a vida, voltando a Sócrates, que nós construiremos uma sociedade mais justa e uma vida mais feliz, que em definitivo, é o principal objetivo da Maçonaria.



[1] Tales de Mileto (em grego antigo: Θαλῆς ὁ Μιλήσιος) foi um filósofo da Grécia Antiga, o primeiro filósofo ocidental de que se tem notícia. De ascendência fenícia,[carece de fontes] nasceu em Mileto, antiga colônia grega, na Ásia Menor, atual Turquia, por volta de 624 ou 625 a.C. e faleceu aproximadamente em 556 ou 558 a.C..Tales é apontado como um dos sete sábios da Grécia Antiga. Além disso, foi o fundador da Escola Jônica. Considerava a água como sendo a origem de todas as coisas, e seus seguidores, embora discordassem quanto à “substância primordial” (que constituía a essência do universo), concordavam com ele no que dizia respeito à existência de um “princípio único" para essa natureza primordial.
[2] Anaximandro (em grego: Ἀναξίμανδρος; 610 — 547 a.C.) foi um geógrafo, matemático, astrônomo, político e filósofo pré-Socrático; discípulo de Tales, seguiu a escola jônica[1]. Os relatos doxográficos nos dão conta de que escreveu um livro intitulado "Sobre a Natureza"; contudo, essa obra se perdeu.Atribui-se a Anaximandro a confecção de um mapa do mundo habitado, a introdução na Grécia do uso do Gnômon (relógio solar) e a medição das distâncias entre as estrelas e o cálculo de sua magnitude (é o iniciador da astronomia grega).
[3] Anaxímenes de Mileto[1] (Grego: Άναξιμένης; 588-524 a.C.) foi um filósofo pré-socrático do Período Arcaico, activo na segunda metade do século VI a.C..[2][3] Foi um dos três filósofos da escola milésia, é identificado como estudante de Anaximandro.[4][5] Anaxímenes, tal como outros na sua escola de pensamento, praticou o materialismo monista.[6][5] Esta tendência para identificar uma específica realidade composta de um elemento material constitui o âmago das contribuições que deu fama a Anaxímenes.Escreveu a obra “Sobre a natureza”, em prosa. Dedicou-se especialmente à meteorologia. Foi o primeiro a afirmar que a luz da Lua é proveniente do Sol.
[4] Empédocles (em grego antigo: Ἐμπεδοκλῆς; Agrigento, 495/490 - 435/430 a.C.) foi um filósofo, médico, legislador, professor, mítico além de profeta, foi defensor da democracia e sustentava a idéia de que o mundo seria constituído por quatro princípios: água, ar, fogo e terra.
[5] Heraclito de Éfeso (Grego: Ἡράκλειτος ὁ Ἐφέσιος—Hērákleitos ho Ephésios, Éfeso, aprox. 535 a.C. - 475 a.C.) foi um filósofo pré-socrático considerado o "pai da dialética". Recebeu a alcunha de "Obscuro" principalmente em razão da obra a ele atribuída por Diógenes Laércio, Sobre a Natureza, em estilo obscuro, próximo ao das sentenças oraculares.Na vulgata filosófica, Heraclito é o pensador do "tudo flui" (panta rei) e do fogo, que seria o elemento do qual deriva tudo o que nos circunda. De seus escritos restaram poucos fragmentos (encontrados em obras posteriores), os quais geraram grande número de obras explicativas.
[6] Sócrates (em grego: Σωκράτης, AFI: [sɔːkrátɛːs], transl. Sōkrátēs; Atenas, c. 469 a.C. - Atenas, 399 a.C.)[1] foi um filósofo ateniense do período clássico da Grécia Antiga. Creditado como um dos fundadores da filosofia ocidental, é até hoje uma figura enigmática, conhecida principalmente através dos relatos em obras de escritores que viveram mais tarde, especialmente dois de seus alunos, Platão e Xenofonte, bem como as peças teatrais de seu contemporâneo Aristófanes. Muitos defendem que os diálogos de Platão seriam o relato mais abrangente de Sócrates a ter perdurado da Antiguidade aos dias de hoje.[2]
Clique para ler mais...