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terça-feira, 22 de agosto de 2023

ESTAMOS EM BUSCA DA "VERDADEIRA LUZ" ??


"Seeking the True Light"


Por M.´.I.´. Luis Genaro Ladereche Fígoli
33° 

Quando entramos na Maçonria dizemos que queremos "ver a luz". Eis o primeiro contato que temos com um dos mistérios mais importantes da Ordem. Aliás, Luz esta que nos acompanha em toda a jornada. Será?

Nesta revelação aos novos Maçons (aprendizes) a palavra “Luz” tem o significado de verdade, conhecimento, ciência, sabedoria, instrução e prática de todas as virtudes; e isto é corroborado pela enciclopédia da Maçonaria, quando o autor Albert G. Mackey, escreve que “A Luz é o elemento dissipador das trevas. É o sinónimo de verdade, sabedoria, liberdade, conhecimento e de redenção. Quando um candidato ao ingressar na Instituição Maçónica passa pela Iniciação e adentrando no Templo, recebe a Luz, significando que os mistérios ser-lhe-ão revelados”.

Desta forma, ao “receber a Luz”, não se refere a pura e simples “Luz Material”, mas sim, de forma figurada. É a verdadeira Luz da Maçonaria, e como dizem vários historiadores, esta Luz propaga-se ao longo da jornada Maçónica, no desenvolvimento do Irmão na Ordem.

Na própria Biblia temos a abordagem da busca e importância da Luz. Diz João:

João 1

…8 João não era a luz, mas foi enviado para testemunhar da luz. 9 A Palavra é a luz verdadeira que, vinda ao mundo, ilumina a toda a humanidade.

Também Lucas trata do assunto:

Lucas 11:36

Portanto, se todo o teu corpo estiver pleno de luz, sem ter nenhuma parte dele em trevas, então ele estará verdadeiramente iluminado, assim como quando a luz de uma forte candeia resplandece sobre vós”. Jesus condena a hipocrisia religiosa.

João volta com o tema:

 1 João 2:8

Todavia, o que vos escrevo é um mandamento novo, o qual é verdadeiro nele e em vós, pois as trevas estão se dissipando e já brilha a verdadeira luz.

Ainda, segundo a Biblia, nos traz no Genesis a Criação do Mundo, onde o primeiro ato, posterior à criação do Céu e da Terra, foi a Luz. Diz esta passagem:

Gênesis 1:3-5
³ E disse Deus: Haja luz; e houve luz.
⁴ E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas.
⁵ E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro. 

A busca pela verdade e pelo conhecimento é uma jornada universal que permeia a história da humanidade. A metáfora da "Verdadeira Luz" muitas vezes simboliza a busca por conhecimento profundo, sabedoria e compreensão do mundo ao nosso redor. No entanto, essa jornada não é linear e nem todos que se encontram diante da "Verdadeira Luz" são capazes de percebê-la de imediato.

Ao longo dos séculos, filósofos, cientistas, artistas e pensadores têm se esforçado para desvendar os mistérios da existência, da natureza humana e do universo. Essa busca incessante por respostas muitas vezes leva as pessoas a enfrentar desafios e obstáculos que testam sua perseverança e capacidade de discernimento. Por vezes, mesmo quando se encontram diante das respostas que tanto procuram, alguns indivíduos podem falhar em reconhecê-las devido a barreiras pessoais, preconceitos ou limitações cognitivas.

A percepção da "Verdadeira Luz" não é apenas uma questão de intelecto, mas também de mentalidade e abertura para novas ideias. Muitas vezes, a cegueira em relação à verdade está enraizada em conceitos preestabelecidos, medos ou resistência à mudança. A aceitação da verdade muitas vezes exige humildade para reconhecer nossas próprias limitações e estar disposto a abandonar ideias antigas em favor de novos insights.

É importante destacar que a jornada em busca da "Verdadeira Luz" é contínua e multifacetada. O conhecimento humano está em constante evolução, impulsionado por novas descobertas, avanços tecnológicos e mudanças na sociedade. O que pode ser considerado a "Verdadeira Luz" em um momento, pode ser revisto e aprimorado à medida que nosso entendimento se aprofunda.

Portanto, a busca pela "Verdadeira Luz" é um chamado universal para a exploração, a reflexão e a abertura para novas perspectivas. Enquanto alguns podem permanecer cegos diante dela, é fundamental perseverar na jornada do conhecimento, com a esperança de que, eventualmente, mais e mais indivíduos possam perceber e abraçar a verdade que sempre esteve diante deles.


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domingo, 12 de fevereiro de 2023

FUNDAMENTOS SOBRE O PAINEL DO A.´. M.´. – O QUE PRECISAMOS SABER INCIALMENTE

 



Por M.´. I.´. Luis Genaro Ladereche Fígoli
G.´.33°

O Painel do Aprendiz é uma das principais simbologias da Maçonaria, sendo uma representação gráfica da jornada do Aprendiz em sua busca pelo conhecimento e autoconhecimento.

A Maçonaria é uma instituição filosófica e fraternal cujos membros são chamados de "maçons". Seus princípios incluem a busca pelo conhecimento, a moralidade, a ética e a fraternidade. Os membros da Maçonaria usam simbologias, rituais e cerimônias para transmitir seus ensinamentos.

O Painel do Aprendiz é uma dessas simbologias. Ele é geralmente encontrado nas Lojas Maçônicas, que são os locais onde os maçons se reúnem para realizar suas cerimônias e atividades. O Painel do Aprendiz é um quadro com imagens que representam a jornada do Aprendiz, desde o momento em que ele entra na Maçonaria até o momento em que ele alcança o grau de Mestre Maçom.

O Painel do Aprendiz geralmente inclui imagens de ferramentas, como maço, cinzel, esquadro, nível, prumo e compasso, que simbolizam as virtudes e habilidades que o Aprendiz deve desenvolver durante sua jornada. Além disso, também inclui imagens do Sol da Lua, da Pedra Bruta er da Pedra Polida, cada um simbolizando aspectos importantes que vão se desenhar no aprendizado do Aprendiz ao longo de sua caminhada, em busca de sua perfeição e espiritualidade.

A jornada do Aprendiz é uma jornada de transformação pessoal, na qual ele aprende a se aprimorar moral e ética, a desenvolver sua inteligência e a cultivar sua camaradagem com os outros membros da Maçonaria. Ao longo do caminho, o Aprendiz é desafiado a superar obstáculos e a enfrentar desafios que o ajudam a crescer como pessoa e a se desenvolver como maçom.

O Painel do Aprendiz é uma das principais simbologias da Maçonaria, representando a jornada do Aprendiz em sua busca pelo conhecimento, autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. É uma forma poderosa de transmitir os ensinamentos da Maçonaria de geração em geração, e é uma fonte inesgotável de inspiração e orientação para os membros da instituição.

Além de simbolizar a jornada do Aprendiz, o Painel do Aprendiz também é visto como uma forma de ensinar as verdades universais da Maçonaria. As imagens e símbolos presentes no Painel são interpretados de diversas formas, mas geralmente têm como objetivo transmitir ensinamentos sobre moralidade, ética, camaradagem e fraternidade.

Um dos ensinamentos mais importantes transmitidos pelo Painel do Aprendiz é a importância da busca pelo conhecimento. A Maçonaria acredita que o conhecimento é uma das chaves para a evolução da humanidade e que cada pessoa deve estar em constante busca por novas descobertas e aprendizados. O Painel do Aprendiz é uma representação gráfica dessa busca pelo conhecimento e autoconhecimento.

Outro ensinamento importante transmitido pelo Painel do Aprendiz é a importância da moralidade e da ética. A Maçonaria acredita que cada pessoa deve viver de acordo com padrões elevados de moralidade e ética, e que esses valores são essenciais para a construção de uma sociedade justa e equilibrada. O Painel do Aprendiz é uma forma de transmitir esses ensinamentos de uma geração para outra, ajudando os membros da Maçonaria a viverem de acordo com seus valores e princípios.

A União entre Irmãos é outro ensinamento importante transmitido pelo Painel do Aprendiz. A Maçonaria acredita que a união e a fraternidade são valores fundamentais para o bem-estar da sociedade e para a construção de uma comunidade forte e coesa. O Painel do Aprendiz é uma forma de transmitir esses ensinamentos, ajudando os membros da Maçonaria a fortalecer suas relações e a construir uma comunidade mais próspera.

Em resumo, o Painel do Aprendiz é uma das principais simbologias da Maçonaria, sendo uma forma poderosa de transmitir ensinamentos sobre a busca pelo conhecimento, a moralidade, a ética, a camaradagem e a fraternidade. Ele é uma fonte constante de inspiração e orientação para os membros da Maçonaria, ajudando-os a viverem de acordo com seus valores e princípios.

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sábado, 14 de abril de 2018

A Ciência Moderna e a Maçonaria - A Busca de uma Consciência Superior.



Por:
Irm.'. Luis Genaro Ladereche Figoli
M.'.I.'. Grau 32°

Heine, poeta e filósofo alemão, dizia que "não existe plágio na filosofia", é claro se não houver cópia literal do pensamento de outrem e apor nossa assinatura. Num nível mais alto e sutil, muito além do pragmatismo da vida cotidiana, sabemos que as ideias fundamentais da filosofia "pairam na atmosfera", reclamando somente uma atenção maior, um poder de percepção mais aguçado e, sobretudo, o raro dom de síntese a fim de serem sistematizadas, trazidas até o nosso mundo das idéias e dos ideais. Todos os conceitos expressos neste artigo já são conhecidos. Estão disponíveis na mídia mundial, em livros recentemente escritos, com as novas descobertas científicas. Também se encontram em nossos escritos maçônicos, com mais de duzentos anos, alguns com vários milenios, como vamos ver. O nosso propósito foi traçar um paralelo entre estas informações dispersas e aparentemente desconexas, entre a ciência moderna e nossa filosofia como forma de demonstrar que há, por traz de tudo isso, um conceito maior, que talvez esteja em nossa frente e não o consigamos perceber. Esta é minha tentativa de modesta contribuição. Tentar unir as pontas aparentemente desligadas e, em alguns casos, contraditórias.

Na física:

Somos feitos de vazios!!!. Pois bem, não estou me referindo a vazios existenciais, mas de vazios físicos mesmo. Explico: em nosso corpo existem 7 octilhões de átomos, os quais existem de 14,7 bilhões (o hidrogênio por exemplo) a 11 bilhões de anos (o carbono por exemplo). Somos assim, poeira das estrelas, mas esse não é o papo. O mais impressionante é que os átomos são compostos de grandes espaços “vazios”. Noventa e nove por cento, segundo a física quântica. A sua estrutura é similar à do sistema solar: uma parte central concentra a massa (núcleo/sol) e partículas giram ao seu redor (elétrons/planetas). Os elétrons, porém, se movimentam como ondas. Sua trajetória não é determinada por uma órbita regular, mas por um cálculo de probabilidades. Exemplificando, se pudéssemos amplificar um próton de um átomo de hidrogênio,  ao tamanho de nosso Sol, o elétron que órbita em torno dele, estaria distante a incríveis 47 bilhões de quilômetros, ou seja oito vezes mais distantes do que a distância do Sol a Plutão. Outro comparativo: se este próton tivesse o tamanho de uma bola de gude, o elétron de encontraria a 2.000 quilômetros de distância. Entre eles, vazio. Se um átomo tivesse um centímetro de raio, seu núcleo teria 800 bilhões de quilogramas, ou seja, sua massa seria semelhante à de um arranha-céus. A densidade, então, seria aproximadamente 1,91x1013 kg/m3. Em suma, cada um de nós, além de pertencer ao Universo (e ser sua consciência existencial) somos compostos por um gigantesco universo interno, com mais de 99% de vazios ou de matéria ou energia escura que até hoje não sabemos o que é!!!!

E na Maçonaria:

Como sabemos, nossa filosofia, repositório dos antigos mistérios das mais diversas civilizações, desde que o homo sapiens sofreu a revolução cognitiva à aproximadamente 70 mil anos atrás, construiu suas teses a partir da contemplação e, fundamentalmente, da inspiração fruto da meditação e do contato com uma consciência ampliada e superior, que chamamos de Verdade.

Desde cedo, na Ordem, aprendemos que nosso Templo é uma representação do Universo. Mas também aprendemos que temos o Templo Exterior e o Interior. E o que o nosso Templo Interior também é um Universo. 

Sabemos também que a busca é interior, pois "tudo que tem encima, tem embaixo, e o que esta dentro é como o que está fora". Esta é uma das Leis do Hermetismo, que é um conjunto de princípios atribuídos a Hermes Trimegisto que formam uma filosofia que ficou conhecida como Hermetismo.

Hermes Trimegisto viveu, segundo se especula, por volta de 1.300 a.C..A literatura Hermética hoje em dia foi quase perdida. Estima-se que Hermes Trismegisto fora a inspiração para diversos pensadores da Antiguidade que o sucederam, como Sócrates, Platão e Aristóteles.
Seus conhecimentos encontrariam particular força na Idade Média, quando os Alquimistas estudavam os princípios Herméticos sob o pretexto de transformar chumbo em ouro. Todavia, a escusa utilizada pelos Alquimistas não passava de um pretexto. Seu verdadeiro objetivo era estudar o processo de transformação do ser humano. Como o ouro, o objetivo era transformar a essência humana imune à desintegração.
Através da contemplação e da cognição, talvez, com acesso a uma consciência superior (ou outra dimensão da nossa própria consciência), os filósofos e as civilizações antigas "intuíram" o que hoje estamos "descobrindo" através da ciência. E a Maçonaria, como repositório destas antigas civilizações e seus mistérios, traduz hoje em dia para cada um de nós, este conhecimento (Kabbalah) na forma de pilulas sobre a Verdade.
Nossa filosofia e a ciência não se chocam, se complementam. Nossa realidade sensitiva (fruto dos estímulos de nossos cinco sentidos no ambiente) é uma pequena porção da realidade. Somos mais do que corpo material, com cognição e inteligência. A ciência ainda não consegue explicar (e talvez nunca consiga) qual a  verdadeira dimensão da realidade. Pesquisas recentes buscam demostrar que poderemos co-existir em várias dimensões de realidade, ou em diversos Universos chamados de Mulltiversos (e já há modelos matemáticos que conseguem se aproximar desta tese). Assim, o que enxergamos, ouvimos, cheiramos, tocamos e sentimos o gosto, pode ser apenas uma "ilusão" da nossa mente. "O Todo é Mente; o Universo é mental", dizia Trimegisto à mais de 3.000 anos atrás.
Damos demasiada importância a este ciclo de nossa existência, que sequer sabemos se ela é real ou não. Descuidamos do essencial, preocupados no aparente. Precisamos prestar atenção nos ensinamentos que a nossa filosofia nos traz, nesta escalada que se nos apresenta (simbolicamente representada pela Escada de Jacó) que, muito além do que a religação ao Divino, se propõe a buscar a Luz, que pode ser a nossa Verdadeira Consciência Superior. E o caminho que se propõe é através da prática continuada da Virtude, cujas expressões máximas não: Fé, Esperança e o Amor Fraternal.
Somos matéria em 99% de vazios incongnisíveis!!!! Pretendemos ser a consciência do Universo, quando estamos limitados a cinco sentidos primários, e sequer sabemos como chegamos até aqui, e para onde devemos ir!!!! Precisamos atingir níveis mais elevados de nossa consciência, níveis mais situis, que nos permitam (através da meditação), buscar a Verdade oculta. Esta é a grande tarefa da Maçonaria e de nós Maçons. E esta poderá ser a grande contribuição que daremos à humanidade. 

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sábado, 19 de maio de 2012

A Iniciação: Remédio para a Queda!!!



A história da origens conta-nos que o mal e a morte são uma conseqüência da queda do Homem Primitivo e que nós somos seus legítimos herdeiros. Por essa razão, não gozamos somente do acervo dessa herança, mas também de todas as conseqüências desse estranho legado.
Ora, se foi da queda do Homem Primitivo, do descenso do espiritual até o material, da Involução, que apareceu para o homem a necessidade, a limitação, a escravidão e todos seus efeitos, tais como o erro, o vício, a obscuridade e a morte, é necessário admitir que essa queda trouxe em si mesma, e potencialmente, o remédio capaz de reparar o mal.

Se isso não fosse verdadeiro, o homem estaria condenado para sempre a uma morte eterna, isto é, sua queda seria eterna e ele estaria perdido para sempre. Mas, sabemos que isso não é assim. O Homem Original caiu, é verdade, mas é necessário antes de tudo atribuir a essa queda seu sentido real.
É necessário, ainda, admitir a priori a origem divina do homem e, por conseguinte, seu estado de pureza e perfeição anteriores à queda. Não seria necessário, para um exame apriorístico, que estudemos as razões determinantes dessa queda: basta admiti-la.

Esse homem primitivo, nós o sabemos, era unitário e múltiplo ao mesmo tempo, inteiramente equilibrado e perfeito. De sua unidade, entretanto, algumas partes desprenderam-se e foi exatamente essa "rebelião" que ocasionou seu desequilíbrio e sua fragmentação. Foi assim que desse corpo imenso e glorioso desprenderam-se um número quase infinito de células que se projetaram no espaço vazio da noite dos tempos.
Dessa maneira, o Homem Original fragmentou-se e, desde então, saindo de sua unidade original e eterna, ele modalizou-se, passando da unidade ao número, multiplicando-se através da noite dos tempos, distanciando-se cada vez mais de sua fonte e de sua pureza.

E o espírito, dardando na imensidão do espaço, como uma centelha que se desprende de um braseiro infinito, perdeu-se nesse caleidoscópio multiforme e desceu até a materialização. E, nessa descida, nessa involução progressiva, ele veio modalizando-se e vestindo-se pouco a pouco de matérias espargidas ao longo dessa trajetória imensa, para, ao longo de sua queda gigantesca, sentir-se animalizado e grotesco, sujeito à Roda Fatal do Destino inexorável das próprias "vestes" que escondiam a vergonha de sua culpa.


Foi, então, que o homem e sua companheira constataram que eles estavam nus, dizem as Santas Escrituras. Deve-se compreender, entretanto, esse nu no seu sentido verdadeiro, aquele que está escondido sob o véu desse símbolo. Com efeito, o homem antes de sua queda era um ser espiritual e expressava-se por seu corpo glorioso, irradiante de luz! Em razão da queda, ele foi revestido de um corpo material e, por conseguinte, tornar-se nu... de Luz! Eis que sobre ele desceu o véu espesso da materialidade.


Caído e corrompido, o homem adquire consciência de seu estado profundamente lamentável e triste, vindo em sua mente uma fraca reminiscência de seu estado primitivo. É essa pálida lembrança da Luz que o faz compreender as Trevas dentro das quais ele se encontra profundamente mergulhado. É aqui que a Evolução começa; e o homem, sentindo o peso de sua cruz, liberta um primeiro gemido! É o primeiro grito para sua liberdade!
Expia agora "oh! Divino Prometeu - como diria Eliphas Levi -, a glória efêmera das ilusões quiméricas, responsáveis de tua queda, tendo um abutre a devorar as tuas próprias entranhas".

Mas, esse homem já adquire consciência e, por essa razão, podemos acrescentar à sentença formidável do Mestre: ... "e que a dor dilacerante de tuas vísceras desperte, enfim, essa centelha que jaz adormecida e sem brilho no mais profundo de teu ser ... Então, rompendo os laços materiais que te acorrentaram depois de tua "rebelião", tu reencontres a consciência de ti mesmo e, olhando-te no espelho cristalino de tua própria alma, contemples a imagem negativa de teu ser! Tu verificarás, assim que teu Destino é a Liberdade, a emancipação, a Verdade e a Vida Eterna ..."


Eis que surgirá, então, do interior o Homem de Desejo, apto para a Iniciação ... Sim, a Iniciação é o remédio que estava contido na própria queda, visto que o homem não desceu só, mas arrastou consigo a própria Divindade
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sexta-feira, 15 de abril de 2011

RITO NA MAÇONARIA – A IMPORTÂNCIA DO RITUAL E DA LITURGIA NOS TRABALHOS DA ARTE REAL

Por Luis Genaro Ladereche Fígoli

Aprender e ensinar: ninguém de fato ensina ninguém e, de forma geral, não há como aprender sem a abertura da consciência. É o despertar. É o descobrir com seu proprio psiqué, as verdades que estão disponívies para serem descobertas.

Consciência vem do vocábulo latin “conscientia” que significa “com conhecimento”, “com a ciência”. A consciência nos traz o saber, o conheciemento verdadeiro que nos dá a luz da sabedoria.

Alguns afirmam existir uma “consciência universal” onde se reúne todo o conhecimento, onde se encontra a “verdade oculta”.

Se assim for, podemos afirmar que a verdade absoluta somente é alcançada através da consciência (chave) usando-se a razão (psiqué), a intuição (o sexto sentido), a dedução e a indução.

Consciência é uma qualidade psíquica, isto é, que pertence à esfera da psique humana, por isso diz-se também que ela é um atributo do espírito, da mente, ou do pensamento humano.

O objetivo deste trabalho é fazer que os irmãos pensem, meditem e reflitam sobre a essência da verdade, que é o principal objetivo do maçom: a busca da verdade, oculta através de símbolos, ritos e alegorias, que nada mais tem por missão a abertura da consciência do maçom.

Se conseguirmos que os irmãos se perguntem e possam se responder: porque estamos aqui ?? De onde viemos ?? E para onde vamos ?? , com certeza, grande parte do caminho teremos trilhado em busca da luz verdadeira.

A maçonaria é uma comunidade em cujo centro se desenrola um renascimento espiritual do homem. Trata-se de uma evolução para a maturidade, de um processo psíquico e íntimo, para uma iniciação. Para obtê-la, a maçonaria encontrou um método especial que, por meio de repetições ritualísticas e mais um desenvolvimento gradual, põe em andamento o autoencontro e a individualização do homem.

São os rituais e símbolos em que inicialmente se inspiraram os costumes das antigas irmandades de pedreiros.

Além disso, entraram nos rituais dos maçons ideais do gnosticismo, da kabbala, dos pythagoraeas e do cristianismo.

O ritual maçônico torna-se, para cada participante, um portador de venturas e um centro dos seus pensamentos e ações. Em todas as lojas do mundo, os rituais, no seu desenrolar essencial, são parecidos, de tal maneira que cada um poderá entender sentido e conteúdo, mesmo não entendendo a língua do respectivo país. O ritual é a parte essencial. Com efeito, pela eficácia de sua forma, deve produzir um ambiente geral positivo, que se eleva por cima dos acontecimentos da vida cotidiana. Eis por que, durante o ato ritualístico, a música também é de grande importância. Por meio do ritual maçônico, a experiência de ensino é transmitida.

O ritual maçônico revela ao participante que existe algo mais que números e lógica, algo mais que aquisição e concorrência, algo mais que a luta pela existência, que preocupações e incômodos. Num ritual, evidentemente, só se revela aquele que está disposto a vivê-lo. Apresenta-se de certa forma como envelope para um recado que foi levado por todos os países e povos, para todos os tempos e que também deverá continuar nesse caminho. É pouco provável que exista uma idéia cujo objetivo é o homem, pura e simplesmente, e mais a procura da origem, da razão e do destino na vida humana, e que não se possa encontrar num ritual maçônico.
A maçonaria chama esse trabalho também uma arte real.

Como se disse já, a maçonaria tem apenas três tipos de segredos: os rituais, os meios de reconhecimento e a identidade dos seus membros. Debrucemo-nos hoje sobre os rituais.

Conceitos:

Ritos – são um conjunto de graus que formam um todo coerente, organizado de acordo com um ou alguns simbolismos particulares: corporativo, alquímico, místico, metafísico, esotérico, cabalístico, etc.

Ritual – é a forma grafada ou não do rito, que descreve, regula, orienta e preceitua o catecismo ritualístico;

Ritualistica – confunde-se com rito. É tudo aquilo que é próprio de um ritual e compreende a interpretação coerente dos símbolos, prática continuada dos mistérios, sem perder o fulcro nos princípios, preceitos e proposições.

Liturgia – é o rigor doutrinário que estabelece ordem e sequência entre os eventos da celebração do rito, garantidos os significados de todos os eventos. A liturgia é a cerimônia ritualística.

“Rito é elo entre o profano e o sagrado”.

Cerimônia mágica

A cerimônia mágica, que é a ritualística maçônica de suas sessões, é o caminho do maçom para atingir estados alterados de consciência e poderes que estão no transcendente, mais além da imediata existência humana.


Rito
-forma (do rito)
-dinâmica (do uso dos símbolos)
-ordenação (sequência lógica de eventos)
-significações (conteúdo do rito)
-codificação (simbolismo e chaves)
Liturgia:
- cerimônia (ritualística)
- transmissão (oral)
- vestes apropriadas (explicar)
- gestos rituais (mudras )
- orações rituais (mantras )
- símbolos visuais (yantras )

tende a = formação da egrégora

tende a = Estágio elevado da consciência

tende a = Verdades ocultas

tende a = Aproximação da Criatura com o Criador

Para atingirmos este estagio elevado da consciência (e assim possamos “descobrir” as verdades ocultas em nossa simbologia) não podemos praticar nossa ritualística de forma mecânica e displicente sob pena de estarmos transformando uma prática iniciática milenar em uma medíocre representação teatral, vazia e sem finalidade.

Correta prática Ritualística:
- compenetração
- seriedade
- vibração mental positiva
- postura em loja
- correta circulação
- silêncio

As vibrações equilibradas do procedimento do ritual maçônico propaga-se por uma correspondência sutil, além do corpo físico, na forma psíquica, onde elas estabelecem um estado de harmonia e de serenidade necessário à obtenção dos estados superiores do ser. É a saída do “tempo ordinário” entrando no “tempo simbólico”.

Simbolismo ritualístico

Os símbolos maçônicos podem ser tangíveis (esquadro, compasso, pedra bruta, etc) ou de natureza oculta, a qual desenvolvida em uma forma de cerimonial, controlada e dirigida pelo ritual da ordem, pode ser designada como o simbolismo ritualístico da maçonaria.
Nesta ordem encontram-se os rituais:
- de descalçamento;
- do despojamento dos metais;
- da investidura;
- da circunvolução;
- da investidura das luvas;
- da aceitação;
- da purificação;
- da luz.

BIBLIOGRAFIA:
- MACKEY, Albert G – O Simbolismo da Maçonaria;
- CARVALHO MONTEIRO, Eduardo – O Esoterismo na Ritualística Maçônica;
- GOULART JACQUES, WALNYR – Uma Loja Simbólica REEA;
- LOPES CASALS, Pedro Henrique – Casos da Maçonaria;
- D´ELIA JUNIOR, Raymundo – Maçonaria 100 Instruções de Aprendiz;
- NOGUEIRA FILHO, Samuel – Maçonaria Religião e Simbolismo;
- QUEIROZ, Álvaro de – Os Símbolos Maçônicos REEA;
- VALZACCHI, Paulo – O Diário de Um Maçom;
- GUIMARÃES, João Francisco – Aprendiz, Conhecimentos Básicos da Maçonaria;
- GERVÁSIO DE FIGUEIREDO, Joaquim – Dicionário de Maçonaria;
- Wikipédia.

Abril de 2011. Apresentado na Loja Tradição, Justiça e Liberdade n° 179, Oriente de Porto Alegre.
SFU
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quarta-feira, 12 de maio de 2010

CONHECIMENTO E SABEDORIA

Na Filosofia e na doutrina Maçônica


Por Irm.´. Luis Genaro Ladereche Fígoli (Moshe)

Nos conceitos de Conhecimento e Sabedoria encontramos uma dicotomia, nem sempre muito esclarecida nas hostes de nossa Instituição, nas Instruções ou em trabalhos realizados pelos nossos IIrm.´. e, frequentemente, uma confundida com a outra como se sinônimos fossem.

Um Maçom deve ter Conhecimento ou Sabedoria??? Qual a diferença entre as duas?? O que é mais importante??? Podemos ter Sabedoria, sem Conhecimento?? E vice-versa??.
Eis o que pretendemos perscrutar com este Artigo.

Em princípio, conhecimento e sabedoria, conhecer e saber, são noções que podem ser confundidos. Com efeito, conceitualmente falando, ter o conhecimento é ter noção, informação, saber. Por outro lado, ter sabedoria é ter grande conhecimento, erudição, prudência, moderação, temperança, sensatez, reflexão (conceitos dados pelo “Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa”, 2ª ed., Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, pág. 454 e 1.530/1.531).

Ainda na Wikipédia, conceitua-se Conhecimento como o ato ou efeito de abstrair ideia ou noção de alguma coisa, como por exemplo: conhecimento das leis; conhecimento de um fato (obter informação); saber, instrução ou cabedal científico (homem com grande conhecimento). O tema "conhecimento" inclui, mas não está limitado a, descrições, hipóteses, conceitos, teorias, princípios e procedimentos que são ou úteis ou verdadeiros. O estudo do conhecimento é a Gnoseologia(1). Hoje existem vários conceitos para esta palavra e é de ampla compreensão que conhecimento é aquilo que se sabe de algo ou alguém. Isso em um conceito menos específico. Contudo, para falar deste tema é indispensável abordar dado e informação.

Também é importante definir Dado e Informação.

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Dado é um emaranhado de códigos decifráveis ou não. Em bruto são um conjunto de números, caracteres, imagens ou outros dispositivos de saídas para converter quantidades físicas em símbolos, num sentido muito extenso.

Informação é o resultado do processamento, manipulação e organização de dados, de tal forma que represente uma modificação (quantitativa ou qualitativa) no conhecimento do sistema (pessoa, animal ou máquina) que a recebe. Informação vem do latim “informatio onis”, ("delinear, conceber idéia"), ou seja, dar forma ou moldar na mente, como em educação, instrução ou treinamento. Enquanto conceito, carrega uma diversidade de significados, do uso cotidiano ao técnico. Genericamente, o conceito de informação está intimamente ligado às noções de restrição, comunicação, controle, dados, forma, instrução, conhecimento, significado, estímulo, padrão, percepção e representação de conhecimento.

Então, informação seria aquilo que se tem através da decodificação de dados, não podendo existir sem um processo de comunicação. Essas informações adquiridas servem de base para a construção do conhecimento. Segundo esta afirmação, o conhecimento deriva das informações absorvidas. Constroem-se conhecimentos nas interações com outras pessoas, com o meio físico e natural. Assim Conhecimento é aquilo que se admite a partir da captação sensitiva, sendo acumulável à mente humana. Ou seja, é aquilo que o homem absorve de alguma maneira, através de informações que de alguma forma lhe são apresentadas, para um determinado fim ou não. O conhecimento distingue-se da mera informação porque está associado a uma intencionalidade. Tanto os conhecimentos como a informação consistem de declarações verdadeiras, mas o conhecimento pode ser considerado informação com um propósito ou uma utilidade.

Associamos Informação à semântica (2) . Conhecimento está associado com pragmática (3) , isto é, relaciona-se com alguma coisa existente no "mundo real" do qual temos uma experiência directa.

Como vimos Informação não pode existir sem um Processo de Comunicação.

Por sua vez, podemos conceituar a Comunicação como o trabalho de formação de uma consciência por meio da utilização de meios acessíveis à percepção sensorial (4) . Os modelos de comunicação podem se diferenciar de acordo com os participantes, que podem possuir consciência individual ou coletiva, ou os conteúdos a serem comunicados e a duração da comunicação(5). O riso e o choro são, por exemplo, formas de comunicação ópticas que nascem com os indivíduos, sendo uma expressão visível no rostro, não necessáriamente aprendidas. Quanto a outros gestos, aparentam serem símbolos culturais, cuja utilização passa a ser adquirida no trasncorrer da vida.

A língua é um sistema de sistemas acústicos e a escrita um sistema de sinais ópticos que reproduz um sistema de sinais acústicos. A linguagem humana, escrita ou falada, é formada de valores simbólicos, imagens, idéias, emoções, sonoridades, grafismos, servindo de expressão de pensamentos e sentimentos. É a maneira utilizada pelos homens para se comunicarem entre si e com a divindade. Simboliza o Verbo, a Inteligência e a Vontade Divina da Criação, pos o mundo é o resultado da Palavra Divina.

"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

Ele estava no princípio com Deus.

Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez.

E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai".
João 1:1,2,3,14


A linguagem (fundamental no Processo de Comunicação e no Conhecimento) é o símbolo da vontade Criadora de Deus, da revelação primordial do Conhecimento e da Sabedoria, o que leva o ser humano a buscar a palavra perdida (6) , ou a primeira revelação feita com a língua primordial que, segundo a tradição muçulmana, seria a língua siríaca ou solar.

O Conhecimento pode ainda ser aprendido como um processo ou como um produto. Quando nos referimos a uma acumulação de teorias, idéias e conceitos o conhecimento surge como um produto resultante dessas aprendizagens, mas como todo produto é indissociável de um processo, podemos então olhar o conhecimento como uma atividade intelectual através da qual é feita a apreensão de algo exterior à pessoa.

A definição clássica de conhecimento, originada em Platão (7) , diz que ele consiste de crença verdadeira e justificada. Aristóteles (8) divide o conhecimento em três áreas: científica, prática e técnica.

Segundo o modelo de Platão, o homem teria um conjunto de Crenças (dogmas) que se cotejadas com a Verdade, é àquelas que fossem verdadeiras, representariam as “Crenças Verdadeiras” entre as quais estariam as “Justificadas” das quais derivariam o Conhecimento.

E quanto à caracterização filosófica da Sabedoria?

Sabedoria (em grego "sofía") é o que detém o "sábio" (em grego "sofós"). Desta palavra derivam várias outras, como por exemplo, "amor à sabedoria" (filos/sofia). Há também o termo “Phronesis” - usado por Aristóteles na obra Ética a Nicômaco para descrever a “sabedoria prática”, ou a habilidade para agir de maneira acertada.

É um conceito diferente de "inteligência" ou de "esperteza".

Inteligência (9)(do Latim intellectus, de intelligere = inteligir, entender, compreender. Composto de íntus = dentro e lègere = recolher, escolher, ler) pode ser definida como a capacidade mental de raciocinar, planejar, resolver problemas, abstrair ideias, compreender ideias e linguagens e aprender. Embora pessoas leigas geralmente percebam o conceito de inteligência sob um escopo muito maior, na Psicologia, o estudo da inteligência geralmente entende que este conceito não compreende a criatividade, o caráter ou a sabedoria. Conforme a definição que se tome, pode ser considerado um dos aspectos da personalidade.

Já Esperteza pode ser definida como agudeza ou sutileza nas ações.
Mesmo para "Sophia" há conceitos diferentes: muitos fazem distinção entre a "sabedoria humana" e a "sabedoria divina" (Teosofia (10)).

Sabedoria humana seria a capacidade que ajuda o homem a identificar seus erros e os da sociedade e corrigi-los. Sabedoria divina seria provavelmente a capacidade de aprofundar os conhecimentos humanos e elaborar as versões do Divino e questões semelhantes.

Sabedoria é a utilização do conhecimento na construção da felicidade.

Na Bíblia Sagrada pode-se encontrar, dentre muitos outros, os seguintes versículos referentes à sabedoria:

"Ora, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não censura, e ser-lhe-á dada." (Tiago 1:5)
"Feliz é o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire entendimento; pois melhor é o lucro que ela dá do que o lucro da prata, e a sua renda do que o ouro". (Prov. 3:13-14)
“Quem é como o sábio? e quem sabe a interpretação das coisas? A sabedoria do homem faz brilhar o seu rosto, e com ela a dureza do seu rosto se transforma.” (Eclesiastes 8:1)


Pois bem, claramente percebem-se semelhanças no conceito dessas palavras, o que acarreta no emprego indiscriminado de ambas sem a distinção do conceito intrínseco de cada uma. Porém, existe uma distinção entre elas que muda totalmente o sentido da frase onde são colocadas.

Conhecimento é ter informação, noção ciência de algo ou alguma coisa. É conhecer alguma técnica ou ciência, diferencia-la de outras técnicas ou ciência, ser versado por essa técnica ou ciência. No entanto, o simples fato de conhecer uma dada informação não implica em ser aquilo que se conhece. É ter acesso àquele dado, e até mesmo procurar aplicá-lo, mas sem se tornar aquele conhecimento. Em síntese, o Conhecimento não está dentro do conhecedor, mas é apenas algo que pode ser acessa empregado, usado por ele.

Por outro lado, a Sabedoria é igualmente ter grande conhecimento, erudição, prudência, moderação, temperança, sensatez, reflexão, mas com uma característica diferente. A Sabedoria pressupõe não só ter o Conhecimento, mas também saber como utilizar esse conhecimento, não só em ocasiões especiais, mas em todos os fatos da vida. Ou seja, Saber não é apenas ter conhecimento, mas é SER o Conhecimento. E aqui reside a diferença entre Conhecimento e Sabedoria, pois a Sabedoria pressupõe não só o Conhecimento, mas a transformação daquele que conhece na própria imagem da Sabedoria, a representação desse Saber.

E é aplicando esses conceitos na vida que poderemos distinguir se a pessoa tem conhecimento ou é a sabedoria. É evidente que conhecer algo é importante, pois se pode aplicar esse conhecimento em determinado campo de saber humano. No entanto, o mais importante é saber, ou seja, é tornar-se esse conhecimento, é transformar a sua vida a imagem da própria sabedoria.

E o que fazemos com as lições que a vida nos oferece? Apenas tomamos conhecimento dela e seguimos ou passamos a reconhecê-la, aplicá-la e vivê-la?

Na Maçonaria aprendemos que o Maçom tem, como glorioso papel, o de Construtor Social. Somos recebidos como Pedra Bruta para que em nosso ser moral, façamos o desbaste das arestas e das asperezas que sobrevivam à Iniciação, para que nos tornemos elementos úteis à construção do edifício social que à Maçonaria compete erigir. Uma Moral em Ação como nós é instruída, com o fim de “dominar os corações mais rebeldes e mais inclinados para ao mal; moral que dá a cada um na proporção de seus direitos e de seus deveres”. Sendo Maçom conhecemos o Templo Simbólico e somos sabedores que ela não se constrói com pedras e madeiras, mas com Virtude, Sabedoria, Força, Prudência, Glória e Beleza.

Ainda, nos ensinam nossas Instruções, que o trabalho de um Maçom é “ conhecer-se e aperfeiçoar-se, a fim de que, livre dos preconceitos e vícios do mundo, possa aspirar o estudo da tradição e da história maçônica, cujos ensinamentos tem iluminado o Mundo”. Só então, “compreendereis à custa de quantas vidas se construiu o Edifício Moral da Maçonaria”.

Primeiro, conhecer-se, depois aplicar o conhecimento, com Sabedoria. Nesse mesmo diapasão, os filósofos Gregos ensinavam a necessidade do autoconhecimento para a sublimação:

"...Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses", estava inscrito no Templo em homenagem a Apolo em Delfos (11).

A nossa Filosofia se baseia na Sabedoria, que é, em suma, o Amor ao próximo.

É nesse sentido que somos Construtores Sociais, a nós próprios através do aperfeiçoamento moral, e ao próximo praticando a Tolerância e a Fraternidade, pilares do Amor incondicional ao ser humano, assim como o Mestre Jesus nos mostrou.

Como ensina João Francisco Guimarães, “Nesse panorama presente, como no passado, para que o gênero humano mantenha, no futuro, os preceitos do livre-arbítrio e crescimento, em seu próprio foro social e pessoal, bem como manter-se transformador e arquiteto de seu próprio destino – em um novo Humanismo redivivo, consentâneo com a realidade do tempo – a doutrina Maçônica aponta para a plena aderência aos seus preceitos milenares, conformada pela busca incessante do conhecimento”(12)

Prossegue “as cláusulas pétreas, tais como Tradição e Regularidade, são fontes perenes de Conhecimento e Sabedoria, conceitos abstratos que são capazes de resgatar e fortalecer os vínculos da atuação moderna da Ordem com os elementos mais puros que conformam sua gênese”(13).

O grande Irm.´. Walnyr Goulart Jacques em sua obra “Uma Loja Simbólica – Rito Escocês Antigo e Aceito” (14)nos apresenta uma fábula, de um encontro entre um Sábio e um Neófito, que dialoga muito com àquilo que elaboramos neste Artigo e que apresentamos como encerramento:

- “Filho, que vês diante de teus olhos?”.
- “Vejo o campo e as árvores”, respondeu.
- “Mas só isso, que está tão perto?” arguiu o Sábio.
- “Bem, vejo mais além, o mar e os montes” disse o Neófito.
- “Só isso, filho?”
- “Vejo também, as nuvens e o Céu” respondeu.
- “Nada mais consegues ver?” insistiu o Sábio.
- “Nada, Senhor”.
- “Meu Filho, se consegues ver só o que os teus olhos (conhecimento) alcançam, jamais conseguirás sentir o que é belo e que no se vê materialmente; precisarás de tempo e dedicação para, gradualmente, com observação, estudo e meditação, conseguires ver (Sabedoria) mais além do que teus olhos alcanças...aí estarás apto.”(15)


Referências:

1 - Gnoseologia - Gnosiologia (também chamada Gnoseologia) é o ramo da filosofia que se preocupa com a validade do conhecimento em função do sujeito cognoscente, ou seja, daquele que conhece o objeto. Este (o objeto), por sua vez, é questionado pela Ontologia que é o ramo da filosofia que se preocupa com o ser. Fazem-se necessárias algumas observações para se evitar confusões. A Gnoseologia não pode ser confundida com Epistemologia, termo empregado para referir-se ao estudo do conhecimento relativo ao campo de pesquisa, em cada ramo das ciências. A Metafísica também não pode ser confundida com Ontologia, ambas se preocupam com o ser, porém a metafísica põe em questão a própria essência e existência do ser. Em outras palavras, a grosso modo, a Ontologia insere-se na teoria geral do conhecimento, ou Ontognoseologia, que preocupa-se com a validade do pensamento e das condições do objeto e sua relação o sujeito Cognoscente, enquanto que a Metafísica procura a verdadeira essência e condições de existência do ser.
2 - A semântica (do grego derivado de sema, sinal) refere-se ao estudo do significado, em todos os sentidos do termo. A semântica opõe-se com frequência à sintaxe, caso em que a primeira se ocupa do que algo significa, enquanto a segunda se debruça sobre as estruturas ou padrões formais do modo como esse algo é expresso (por exemplo, escritos ou falados). Dependendo da concepção de significado que se tenha, têm-se diferentes semânticas. A semântica formal, a semântica da enunciação ou argumentativa e a semântica cognitiva, por exemplo, estudam o mesmo fenômeno, mas com conceitos e enfoques diferentes;
3 - Pragmática: é o ramo da linguística que estuda a linguagem no contexto de seu uso na comunicação. As palavras, em sua significação comum, assumem muitas vezes outros significados distintos no uso da língua e, mais recentemente, o campo de estudo da pragmática passou a englobar o estudo da linguagem comum e o uso concreto da linguagem, enquanto a semântica e a sintaxe constituem a construção teórica. A pragmática, portanto, estuda os significados linguísticos determinados não exclusivamente pela semântica proposicional ou frásica, mas aqueles que se deduzem a partir de um contexto extralinguístico: discursivo, situacional, etc;
4 - Queiroz, Álvaro de – Os Símbolos da Maçonaria – Editora Madras – Pág. 30;
5 - Idem;
6 - - Palavra Perdida é um dos mistérios da Maçonaria. A busca da Palavra Perdida é uma das missões de cada Maçom, conjuntamente com a alquimista V.I.T.R.I.O.L.;
7 - Platão (em grego "amplo") Atenas, 428/347 a.C. - Foi um filósofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga, autor de diversos diálogos filosóficos e fundador da Academia em Atenas, a primeira instituição de educação superior do mundo ocidental. Juntamente com seu mentor, Sócrates, e seu pupilo, Aristóteles, Platão ajudou a construir os alicerces da filosofia natural, da ciência e da filosofia ocidental. Acredita-se que seu nome verdadeiro tenha sido Arístocles; Platão era um apelido que, provavelmente, fazia referência à sua característica física, tal como o porte atlético ou os ombros largos, ou ainda a sua ampla capacidade intelectual de tratar de diferentes temas, entre eles a ética, a política, a metafísica e a teoria do conhecimento;
8 - Aristóteles (Estagira, Calcídica, 384 a.C. - 322 a.C.) foi um filósofo grego, aluno de Platão e professor de Alexandre, o Grande, considerado um dos maiores pensadores de todos os tempos e criador do pensamento lógico. Aristóteles figura entre os mais influentes filósofos gregos, ao lado de Sócrates e Platão, que transformaram a filosofia pré-socrática, construindo um dos principais fundamentos da filosofia ocidental. Aristóteles prestou contribuições fundantes em diversas áreas do conhecimento humano, destacando-se: ética, política, física, metafísica, lógica, psicologia, poesia, retórica, zoologia, biologia, história natural.É considerado por muitos o filósofo que mais influenciou o pensamento ocidental;
9 - De acordo com a Maçonaria é a faculdade que a alma tem de formar ideias gerais, após tê-las criticado e distinguido por meio do juízo; mais concretamente, "modo de entender". Da Camino;
10 - Teosofia - é um corpo de conhecimento que sintetiza Filosofia, Religião e Ciência. Tanto hoje como na antiguidade, a Teosofia se constitui na sabedoria universal e eterna presente nas grandes religiões, filosofias e nas principais ciências da humanidade, e pode ser encontrada na raiz ou origem, em maior ou menor grau, dos diversos sistemas de crenças ao longo da história. A teosofia foi apresentada ao mundo moderno por Helena Blavatsky, no final do século XIX, e desde então vem sendo divulgada por teosofistas em diversos países. Com seu caráter interdisciplinar, a teosofia proporciona uma ponte entre as diversas culturas e tradições religiosas. Segundo Blavatsky, “Teosofia é conhecimento divino ou ciência divina.”;
11 - é um aforismo grego que segundo a tradição estaria inscrito nos pórticos do Templo de Apolo em Delfos, na Antiga Grécia. É uma pedra-angular da filosofia de Sócrates e do seu método, a maiêutica, e é muito citado pelo filósofo nos relatos de Platão (Alcibíades, 128d-129) e Xenofonte (Memoráveis, IV, II, 26). O oráculo do templo teria proclamado Sócrates o homem mais sábio na Grécia, ao que Sócrates terá respondido com a célebre frase: "Só sei que nada sei";
12 - Guimarães, João Francisco – Aprendiz: Conhecimento Básicos da Maçonaria – Editora Madras, Pág. 34;
13 - Idem;
14 - Goulart Jaques, Walnyr – Uma Loja Simbólica – REAA – Pág. 178 e 179;
15 - Grifo nosso



Fontes de Consulta:
- Guimarães, João Francisco – Aprendiz: Conhecimentos Básicos da Maçonaria – Editora Madras;
- Goulart Jaques, Walnyr – Uma Loja Simbólica: REAA – Editora Pontho Virtual;
- Anatalino, João – Conhecendo a Arte Real: Maçonaria e suas Influências Históricas e Filosóficas – Editora Madras;
- Rodrigues da Silva, Robson – Reflexos da Senda Maçônica – Editora Madras;
- Da Camino, Rizzardo – Maçonaria Mística – Editora Aurora;
- Queiroz, Álvaro de – Os Símbolos Maçônicos: REAA – Editora Madras;
- Ritual do REAA;
- Wikipédia;
- Artigos diversos na Internet.
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