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domingo, 14 de maio de 2017

A Gênese Maçônica - Misticismo Egípcio e as Influências na Maçonaria - Parte V

                      A GÊNESE MAÇÔNICA - parte V


Por Irm.´. Luis Genaro Ladereche Fígoli (Moshe)*

b) Misticismo no Antigo Egito

O Egito antigo passou a ter sua história conhecida a partir de 3.200 a.C. com a unificação territorial, sendo praticamente uma continuação do período Neolítico, quando esses povos já ocupavam a região do vale no Nilo.

Essa impressionante civilização nos deixou legados importantes, principalmente nos padrões místicos, influenciando diversas culturas e povos, mas têm servido também de fonte de elucubrações fantásticas e afastadas de qualquer realidade comprovável.

Os traços marcantes da civilização egípcia foram:

  1. Formou uma classe sacerdotal, altamente teocratizada, com grande propensão à magia. A magia egípcia, chegou até nós, até aos nossos dias através do Livro dos Mortos, um grimório recheado de feitiços e encantamentos, de rituais para afastar o perigo e o mal ao longo da grande viagem da alma no outro mundo. O Egito antigo era o país da magia, e dos magos, o uso da magia era muito natural em todas as classes sociais, desde o agricultor até o faraó. As suas práticas mágicas ou de bruxaria decorriam de sua própria visão do mundo, onde a ordem e a segurança estavam constantemente ameaçadas pelas forças destruidoras. Era por isso necessário combatê-las a fim de proteger o reino e seus habitantes. Dentro da antiga religião se podia criar um ele divino junto aos deuses, através de rituais, palavras, ações, manifestando as características e poderes de um determinado deus. Se poderia utilizar desses rituais, palavras e ações para evocar determinada manifestação de um deus, ao mesmo tempo também poder-se-ia neutralizar das energias negativas de certos deuses opositores com oferendas e sortilégios. Ou mesmo alcançar apenas as boas graças dos mesmos. Através de tais práticas mágicas religiosas era possível transferir ao homem tais poderes divinos, através de amuletos, imagens, tatuagens, orações. Apesar de ser claro a influência dos egípcios entre as culturas que teve acesso, fica muito difícil conseguir distinguir tais toques culturais.
  2. O misticismo egípcio era dominado pelo culto aos mortos, pois a preocupação com o além era um traço marcante de sua mística, presente inclusive nas artes, na arquitetura e nas letras;
  3. A arquitetura era baseada em grandes monumentos, com culto aos mortos e aos seus deuses, com grandes colunas que ocupavam quase todo o espaço interno dos templos e cuja ornamentação tinha grande valor simbólico e não estrutural. Os templos representavam o universo e o piso a Terra dos quais surgiam grandes colunas como grandes papiros em direção ao céu;
  4. As artes (pinturas) tinham caráter místico, pois representavam uma manifestação mágica, garantindo ao retratado, a vida eterna. Além disso a arte religiosa, carregada de símbolos, permaneceu imutável durantes os milênios que durou a civilização do Egito;
  5. Havia uma divisão entre o misticismo sacerdotal (inacessível aos não iniciados) e o popular. No popular, com grande influencia do período Neolítico, havia a crença na Zoolatria (culto a alguns animais), as forças naturais, os astros, as forças da alma humana constituída um número muito grande de divindades no mundo sobrenatural. A religião do Egito Antigo era politeísta, pois os egípcios acreditavam em vários deuses. Acreditavam também na vida após a morte e, portanto, conservar o corpo e os pertences para a outra vida era uma preocupação. O pensamento egípcio era profundamente religioso. Para aqueles homens, o universo não poderia ser protudo do acaso nem uma consequência de simples estados da matéria. Da matéria em si não se poderiam forma as estrelas nem o riso nem nada da natureza e menos ainda os estados de consciência do homem. Era uma concepção deísta da vida. Se encontramos no Egito mostras de uma religiosidade simples e fetichista, também encontramos ali sinais da mais alta metafísica religiosa. Para o egípcio havia uma natureza material e visível, porém havia também uma natureza espiritual e sagrada. Uma força espiritual, que sem confundir-se com o mundo material, nem se diluir nele, o alentava e vivificava. Esta natureza superior estava representada por seus deuses e se expressava em obras no mundo concreto. Considera-se que o egípcio era homem prático e concreto, e o era verdadeiramente, mas entendia que o que existe neste mundo era efeito de uma causa que transcende o fenômeno em si e que em última instância é uma realidade espiritual, a que o homem pode ter acesso.
  6. Havia a crença de que os egípcios, após a morte física, o Ba (alma) e o Ka (espírito guardião) continuavam a vida depois da morte, desde que houvesse conservação do corpo, como moradia da alma. Por isso, este povo desenvolveu técnicas de embalsamar e mumificar os corpos dos mortos, principalmente das dignidades e oficiais, embora tenha sido extensivo ao povo;
  7. A criação da tríade (Ozires, Isis, e Hórus)[1], tão presente em todas as religiões orientais e ocidentais, com outros nomes;
  8.  A astrologia também foi muito praticada no Egito antigo, trazendo grande evolução da astronomia. Construíram um calendário solar que foi o mais perfeito da antiguidade, com os quais conseguiam prever as cheias do Nilo. O calendário compunha-se de 365 dias, 12 meses de 30 dias e mas cinco dias adicionais;



Influência do Misticismo egípcio na Maçonaria

A influência da mística egípcia na Maçonaria, é em grande parte, similar à influência exercida pela mística mesopotâmica, no que diz respeito:

i.              Culto solar;

ii.            Astrologia;

iii.           Decoração do teto dos templos com o firmamento (exemplo Templo de Luxor);

iv.           Lenda de Osíris (morte e ressurreição). É por causa da lenda de Osíris que os maçons de denominam “Filhos da Viúva”, identificados com Hórus, filho de Isis e Osíris, morto por Set seu irmão;

v.            As colunas vestibulares e sua simbologia (lótus e papiro);


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[1] Osíris (Ausar em egípcio) era um deus da mitologia egípcia, associado à vegetação e a vida no Além. Oriundo de Busíris, no Baixo Egito, Osíris foi um dos deuses mais populares do Antigo Egito, cujo culto remontava às épocas remotas da história egípcia e que continuou até à era Greco-Romana, quando o Egito perdeu a sua independência política. Marido de Ísis e pai de Hórus, era ele quem julgava os mortos na "Sala das Duas Verdades", onde se procedia à pesagem do coração ou psicostasia. Osíris, é sem dúvida o deus mais conhecido do Antigo Egito, devido ao grande número de templos que lhe foram dedicados por todo o país; porém, os seus começos foram os de qualquer divindade local e é também um deus que julgava a alma dos egípcios se eles iam para o paraíso (lugar onde só há fartura). Para os seus primeiros adoradores, Osíris era apenas a encarnação das forças da terra e das plantas. À medida que o seu culto se foi difundindo por todo o espaço do Egito, Osíris enriqueceu-se com os atributos das divindades que suplantava, até que, por fim substituiu a religião solar. Por outro lado, a mitologia engendrou uma lenda em torno de Osíris, que foi recolhida fielmente por alguns escritores gregos, como Plutarco. A dupla imagem que de ambas as fontes chegou até nós deste deus, cuja cabeça aparece coberta com a mitra branca, é a de um ser bondoso que sofre uma morte cruel e que por ela assegura a vida e a felicidade eterna a todos os seus protegidos, bem como a de uma divindade que encarna a terra egípcia e a sua vegetação, destruída pelo sol e a seca, mas sempre ressurgida pelas águas do Nilo.

Fontes:
Wikipedia
http://www.oarquivo.com.br/temas-polemicos/religiao-cultos-e-outros/471-magia-e-feiticaria-do-egito-antigo-parte-1.html
Nicholas Postgate - La Mesopotamia arcaica: sociedad y economía en el amanecer de la historia
Castelani, José - História da Maçonaria;
Alsan, Nicolas - Maçonaria Operativa
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domingo, 2 de maio de 2010

A Religiosidade na Maçonaria

A RELIGIOSIDADE NA MAÇONARIA



Por: David Caparelli

Em primeiro lugar, notadamente para haver uma clara distinção entre religião e religiosidade, é preciso que delineemos os conceitos dos dois termos, para alcançarmos o fim a que se propõe este trabalho.

E o fim a que se destina este trabalho tem sua justificativa no fato de que muitos não entendem que Maçonaria não é religião, apesar de ser religiosa.

Muitas pessoas confundem o fato de uma pessoa não possuir determinada religião com o fato de ela ser atéia – o que não é uma realidade. Dentro desta linha de raciocínio, temos os aconfessionais, ou seja, aqueles que crêem em um Ente Superior, mas que não praticam qualquer tipo de religião, dentre as que estamos acostumados – catolicismo, messianismo, espiritismo etc.

Para crer em Deus – no G∴ A∴ D∴ U∴ - não é preciso professar uma crença estabelecida, mas possuir um elo com o Criador.

John R. Hinnels, em sua obra "Dicionário da Religiões", Ed. Cultrix, com grande propriedade, ao conceituar religião, afirma que “ as definições dos dicionários são freqüentemente perifrásticas, preconceituosas ou tão genéricas que se tornam inúteis.”

Neste diapasão, encontramos, não raras as vezes, definições em que a Maçonaria aparece como religião e, pior ainda, como uma religião satânica.

Na obra citada, o autor excerta texto de J. M. Yinger, onde o conceito de religião aparece desta forma: “sistema de crenças e práticas por meio das quais um grupo de pessoas luta com os problemas básicos da vida humana.”

Parece-nos, também, conceito vago e pouco apropriado, posto que religião deriva de religar e, desta forma, teríamos na religião uma série de ritos e uma liturgia própria, que fizesse o ser Humano voltar à essência natural, a Divindade.

A materialização do termo provoca dúvidas e nos leva a conceitos deturpados do que realmente venha a ser religião. Analisando do ponto de vista próprio do termo, no que se refere a religar, não haveria necessidade de várias religiões, dissidências, ou mesmo conflito entre elas. Bastaria a crença em Deus para uma perfeita convivência entre os homens.

Religiosidade, por sua vez, diz respeito à crença e está muito mais ligada à pessoas do que a grupos que professam uma crença específica de uma religião. Esta assertiva, ainda que em outras palavras, podemos encontrar no Dicionário citado linhas acima. Uma pessoa pode ser religiosa sem que, com isso, participe de qualquer das religiões conhecidas. Havendo a crença em um Ente Superior, há religiosidade, apesar de não estar a pessoa ligada a qualquer religião.

E quem melhor nos define o conceito de religião, dentro do que dito até o momento, é o Pe. Jesuíta Valerio Alberton, em sua obra O Conceito de Deus na Maçonaria, quando indaga?

“ MAS, QUE É RELIGIÃO?
Essencialmente o relacionamento do homem com seu deus, o G∴ A∴ D∴ U∴. Relacionamento acentuado pela divisa Deus Meumque Ius, de todos os Supremos Conselhos do Mundo, do R∴E∴A∴A∴. Embora o conceito de religião seja ainda hoje muito debatido, o vocábulo religião deriva do latim Religio, conforme Cícero ( anos 106 - 143 antes de cristo ) Relegere, considerar cuidadosamente – é o que faz o homem quando perscruta a natureza e penetra no criador desta natureza, ou de Religare, ligar, prender, conforme lactâncio ( mais ou menos 330 depois de cristo ): a Religião liga, de fato, os homens a Deus pela piedade. São considerações complementares: considerar atentamente para se ligar mais estreitamente. Na verdade, uma atitude para com Deus traduz-se, normalmente, em atos. ”


René Descartes, em seu Discurso do Método, afirma a crença em Deus, asseverando: “ Ora, depois que o conhecimento de Deus e da alma deu-nos assim a certeza Dessa regra, é bem fácil saber que os sonhos que imaginamos durante o sono não devem de modo algum fazer-nos duvidar da verdade dos pensamentos que temos quando acordados. Pois se acontecesse que, mesmo dormindo, ocorresse uma ideia muito distinta, como, por exemplo, que um geômetra inventasse alguma nova demonstração, seu sono não impediria de ser verdadeira. ”

Sem dúvida alguma, o Iluminismo nos trouxe esta concepção de religiosidade, posto que mais se deu importância à razão:

ILUMINISMO ou IDADE DA RAZÃO, período na história em que os filósofos deram ênfase ao uso da razão como o melhor método de se chegar à verdade. O período iluminista começou no séc. XVII durando até o final do séc. XVIII. O Iluminismo também é chamado de Século das Luzes. Entre seus líderes, figuram vários filósofos franceses, o marquês de Condorcet, René Descartes, Denis Diderot, Jean Jacques Rousseau e Voltaire, e o filósofo inglês John Locke.

Os líderes do Iluminismo baseavam-se muito no método científico, com sua ênfase na experiência e na observação cuidadosa. Nesse período, houve descobertas de grande importância nos campos da anatomia, astronomia, química, matemática e física. Os iluministas organizaram o conhecimento em enciclopédias e fundaram sociedades científicas.

Acreditavam que o método científico podia ser aplicado ao estudo da natureza humana. Estudaram pontos controversos na educação, no direito, na filosofia e na política, e atacaram a tirania, a injustiça social, a superstição e a ignorância. Muitas de suas idéias contribuíram diretamente para a deflagração das revoluções norte-americana e francesa no final do séc. XVIII.

Para os iluministas, o progresso nos assuntos humanos parecia assegurado. Acreditavam ser apenas uma questão de tempo até os homens aprenderem a deixar a razão, e não a ignorância, a emoção ou a superstição, guiá-los.

Quando os homens conseguissem isso, viveriam felizes. Condorcet expressou esse otimismo em seu Esboço de um quadro histórico dos progressos do espírito humano (1793-1794).

Descartes, em seu Discurso, nada mais fez do que adaptar o conceito de Deus à uma razão por si criada. Este adendo se fez necessário, posto que desejassem mostrar nestas linhas que a Maçonaria é religiosa, sem que, com isto, seja uma religião.
Da obra O Manuscrito Régio e o Livro das Constituições, de Ambrósio Peters, Ed. A Trolha, ao analisarmos as obrigações de um Pedreiro Livre, vimos que:

“ I. Sobre Deus e Religião
Um Maçom é obrigado, por dever de ofício, a obedecer a Lei Moral; e se ele compreende corretamente a Arte, nunca será um estúpido Ateu nem um libertino irreligioso. ”

A partir do momento em que o Maçom deve crer em um Ente Criador, sem dúvida alguma é ele um religioso, posto que encontra-se em estado perpétuo de “religação” com Deus - G∴ A∴ D∴ U∴.

Mais um adendo faz-se necessário neste ponto, posto que é muito comum, diante destes conceitos, IIr∴ errarem ao manifestar-se acerca de Deus. Em Sessão Magna Branca, o Ir∴ Orador de uma Loja, a qual, por razões óbvias, não mencionaremos, ao ler uma peça de arquitetura durante a sessão, afirmou:

O G∴ A∴ D∴ U∴, QUE É DEUS...

Sem dúvida alguma errou o Ir∴ Orador, nosso guardião da Lei. O G∴A∴ D∴ U∴ não é Deus, mas esta Entidade Criadora. Afirmamos não ser Deus porque a Maçonaria não é uma religião e, aqui começa a polêmica. E, a respeito do tema, ao delinear sobre os Landmarks da Ordem, Theobaldo Varolli Filho elenca as Regras Gerais de Anderson, onde, no primeiro artigo se lê que há “ a crença em Deus, ou seja, a convicção da existência de uma Causa Primária, de um Princípio Criador, denominado o Grande Arquiteto do Universo. ”

Quanto à existência e crença nesta Causa Primária, há, ainda, discussões acerca de teísmo, deísmo e panteísmo.

Por esta razão, abriremos um pequeno adendo para explicar estas conceituações e, ao depois, darmos continuidade ao nosso trabalho. Esta definição foi retirada do último trabalho realizado acerca do Rito Brasileiro:

TEÍSMO – DEÍSMO – PANTEÍSMO

Por teísta, o próprio introito de nosso ritual já diz ao que se destina: O Rito Brasileiro afirma a crença em um DEUS Criador, que, mantendo o tradicionalismo da Maçonaria, é concebido como o Supremo Arquiteto do Universo.

De fato, teísmo e deísmo são termos que se confundem em sua origem, mas que são diversos. Procuramos ajuda no Dicionário de Religiões, Ed. Cultrix, de John R. Hinnells, para responder à este questionamento e, assim, apresentar a diferença básica entre os dois termos – estes bem diversos do panteísmo.

“ Teísmo é a crença num único ser Divino (“Deus”, mais do que um DEUS ) pessoal, ativamente relacionado com a realidade divinamente criada, que inclui a raça humana, mas distinto dela. ”

“Deísmo – na origem, a palavra indica a crença em um só deus, em oposição a ATEÍSMO e POLITEÍSMO. ”

Sob o aspecto da primeira parte que define teísmo e deísmo, podemos quase que afirmar terem os termos o mesmo significado. No entanto, assim não de pode afirmar.


A partir do século XVIII, deísmo passou a significar a crença em que Deus criou o mundo no princípio, mas que não intervém no curso dos assuntos naturais e humanos.


Os teístas, ao contrário, segundo a afirmação contida no Dicionário mencionado têm em Deus “o Espírito perfeito, existente por si mesmo, do qual depende o mundo para a sua existência, continuação, significado e propósito.”

Já por panteísmo, tem-se a crença de que Deus é tudo e está em tudo. Assim, em uma mesa, por exemplo, teríamos Deus. Os panteístas não admitem que a mesa tenha sido construída por inspiração divina, mas que a própria divindade ali se encontra.


Se para alguns o S∴ A∴ D∴ U∴, o Grande Árbitro dos Mundos, é Alá, como podemos afirmar que S∴ A∴ D∴ U∴ ou G∴ A∴ D∴ U∴ é Deus? Este trabalho, que visa demonstrar a diferença básica entre religião e religiosidade.

Assim, por exemplo, procurando socorro na Enciclopédia Koogan-Houaiss, encontramos a definição de Alá: “ALÁ”, nome árabe para o Ser Supremo do islã, a religião fundada por Maomé. A palavra é composta por al (o) e ilah (deus).

No Corão, que é para os muçulmanos o que a Bíblia é para os cristãos, Alá se refere ao Ser Supremo. Os muçulmanos devem repetir regularmente a frase: "Não há outro deus além de Alá; e Maomé é o apóstolo de Alá".

O próprio fato de ser um Landmark a presença do Livro da Lei nos trabalhos Maçônicos, já denota o cunho religioso da Maçonaria – diverso de que a Maçonaria seja uma religião. Compulsando Theobaldo Varolli Filho, em sua festejada obra Curso de Maçonaria Simbólica – Grau de Apr∴, ao analisarmos o governo triangular de uma Loja, podemos extrair conceitos próprios do Direito Natural, que, em outras palavras, deriva da consciência e inteligência humanas e, por esta razão, segundo os filósofos do Direito, seriam normas emanadas da Divindade e passadas por meio de inspiração.

Varolli nos ensina:
“ O Venerável, cuja jóia é o E∴, símbolo da retidão e das ações pautadas na Justiça2, está assentado no Oriente, no Trono de Salomão3. Para assumir esse Trono ele precisa ser Mestre e devidamente preparado numa cerimônia especial denominada Instalação. Essa regra é exigida pelos ritos espiritualistas, quer como reminiscência da unção e consagração dos reis de Israel, quer porque o Venerável é portador da Esp∴ Flam∴, destinada a transmitir ao Obreiro a fagulha, a chama iniciática4, referida na história das crenças por vários modos. Por exemplo, os sacerdotes persas da casta “ spitama ”, da religião mazdeista, eram os guardas do fogo sagrado ou do foco da luz divina. ”

Por estas razões, tendo em vista o fato de que a Maçonaria pugna pelo aperfeiçoamento moral, onde o espírito deve dominar a matéria, encontramos princípios básicos religiosos retirados da filosofia e do próprio Direito Natural, que é metafísico.

A Maçonaria é uma sociedade devidamente organizada e, como tal, calcada em normas basicamente parecidas com as do Direito Natural.

Tanto assim os landmarks onde se vislumbra que um Maçom jamais poderá ser um ateu estúpido ou um irreligioso libertino.

No diapasão em que viemos tratando este assunto, a respeito de religião e religiosidade, para alcançarmos a exata compreensão de sua diferença e, com isso, desmistificarmos, mais uma vez, as concepções errôneas acerca da Maçonaria podem afirmar, sem qualquer sofisma ou medo de errar, que o Direito é religioso.

Assim podemos abstrair das conceituações de Hegel, na primeira metade do Século XIX, que através da razão, a maioria dos filósofos chegou à conclusão de que há uma Força Criadora – cada um atribuindo à Ela um nome ou uma forma de existência – Deus, força, espírito...

Na Maçonaria, esta figura respeitosa e impessoal – impessoal no que diz respeito a evitar críticas e polêmicas religiosas – é denominada G∴ A∴ D∴ U∴. Como vimos, então, a Maçonaria é religiosa, assim como o próprio direito material que regula nossas relações no mundo em que vivemos.

Ainda que possa haver divergências quanto a estes temas, basta analisar cada Ritual, de cada Rito, para ver a excelência da religiosidade, ao menos enquanto inspiração.


No R∴ E∴ A∴ A∴, por exemplo, mesmo nos Altos Graus, a religiosidade é patente, bastando ler Castellani. Por um antropomorfismo, afirmamos ser o homem criado à imagem e semelhança de Deus e, ninguém, a não ser Deus, é Onisciente, Onipresente e Onipotente.

Desta forma, percebemos, com clareza, que nossos rituais estão cobertos de religiosidade, o que somente engrandece a Maç∴ enquanto Instituição.

Finalizamos este trabalho afirmando que a Maç∴ é religiosa e que engloba membros de todas as raças e credos.

Por esta razão é ela universalista. Podemos afirmar, ainda, que a Maçonaria é uma, sendo um desrespeito e uma vaidade sem fim, ferindo todo o caráter religioso nela inserto, a disputa entre ritos.

Que os IIr∴ tenham sempre em mente o Salmo 133, lembrando que estamos na Ordem para Levantar Templos à virtude, cavar masmorras ao vício, submeter nossas vontades, vencer nossas paixões e, nela, fazer novos progressos.

Bibliografia
- O R∴ E∴ A∴ A∴ - José Castellani – Ed. Trolha
- O Rito Brasileiro de Maçons Antigos, Livres e Aceitos – Mário Name – Ed. Trolha
- A Maçonaria e sua Herança Hebraica – José Castellani – Ed. Trolha
- Curso de Maçonaria Simbólica - Gr∴ de Apr∴ Maç∴ - Theobaldo Varolli Filho – A Gazeta Maç∴
- O Conceito de Deus na Maçonaria – Pe. Alberton – Editora Aurora
- Discurso do Método – René Descartes
- O Manuscrito Régio e o Livro das Constituições – Ambrósio Peters – Ed. Trolha
- A Descristianização da Maçonaria – Xico Trolha – Ed. Trolha
- Direito Natural – Ylves José de Miranda Guimarães – Forense
- Enciclopédia Virtual – Koogan-Houaiss


Fonte: Publicado no Anuário da Loja de Pesquisas Maçônicas Quatuor Coronati do Brasil, 2671. Republicado no Livro Maçonaria Mística de José Carlos de Araújo em 2001
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