Mostrando postagens com marcador Amor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amor. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 23 de abril de 2025

A Vida: Entre a Causa Perdida e a Oportunidade

 Por: Luis Genaro L. Fígoli (Mestre Moshe 33°)


A Vida: Entre a Causa Perdida e a Oportunidade (Ampliado)

A vida é, paradoxalmente, o mais profundo mistério e o mais cotidiano dos fenômenos. A cada instante, somos confrontados com a sua fragilidade e transitoriedade, mas também com o seu brilho fugaz – aquele que nos convida a explorá-la, a encontrar significados, a criar. Pensar a vida como uma "causa perdida" ou como uma "oportunidade" é enfrentar a própria condição humana: somos seres conscientes da nossa finitude, mas, ao mesmo tempo, desejosos de transcendê-la. Essa tensão é o motor de muitas das reflexões filosóficas mais profundas.

A vida como causa perdida: a sombra da morte

A morte é a única certeza que carregamos desde que nascemos. Para alguns, isso basta para declarar a vida como uma causa perdida. Afinal, para que nos esforçarmos, amarmos ou construirmos, se tudo será apagado pela passagem do tempo? Essa visão, por vezes associada ao niilismo, foi explorada por filósofos como Arthur Schopenhauer, que via a existência como um ciclo de desejos insaciáveis e sofrimentos inevitáveis. Para ele, viver era ser arrastado por uma força cega e irracional – a "vontade de viver" – que nos condenava ao desespero.

No entanto, mesmo Schopenhauer encontrava alguma beleza na contemplação estética. A arte, para ele, era um refúgio da dor da existência, um momento em que podíamos nos libertar temporariamente da tirania da vontade. Assim, mesmo na visão mais pessimista da vida, há espaço para algo que transcenda a pura negatividade.

Por outro lado, filósofos contemporâneos como Martin Heidegger ampliaram essa ideia, argumentando que a morte não é apenas um fim, mas uma presença constante na vida. Em sua obra Ser e Tempo, Heidegger descreve o ser humano como um "ser-para-a-morte". Isso não significa que vivemos obcecados pela morte, mas que ela é o horizonte último que dá sentido às nossas escolhas. A consciência da finitude não nos paralisa, mas nos desperta para a urgência de viver autenticamente.

A vida como oportunidade: a celebração da existência

Se a morte é inevitável, a vida, em contrapartida, é uma oportunidade única. Muitos filósofos e pensadores encontraram na transitoriedade da vida uma razão para celebrá-la. Friedrich Nietzsche, por exemplo, rejeitava o pessimismo de Schopenhauer e colocava a vida como algo que deve ser afirmado em toda a sua complexidade. Sua ideia do "amor fati" – o amor ao destino – nos convida a aceitar tudo o que a vida traz, tanto as alegrias quanto os sofrimentos, como partes intrínsecas de uma existência plena.

Nietzsche propôs o conceito do eterno retorno, uma ideia hipotética segundo a qual cada momento da nossa vida se repetiria infinitamente. Para ele, a verdadeira medida de uma vida bem vivida seria a capacidade de desejar que ela fosse repetida da mesma forma, eternamente. Essa visão nos desafia a viver com intensidade, a aproveitar cada instante como se fosse eterno.

Outro exemplo é Albert Camus, que, ao refletir sobre o absurdo da existência, encontrou um sentido paradoxal na própria falta de sentido. Em O Mito de Sísifo, Camus afirma que, embora a vida não tenha um propósito intrínseco, ela pode ser vivida plenamente ao abraçarmos o absurdo. A imagem de Sísifo, condenado a rolar eternamente uma pedra montanha acima, não é a de um homem derrotado, mas de alguém que encontra alegria no próprio esforço. Para Camus, "a luta para alcançar o cume é suficiente para preencher o coração de um homem".

Os ciclos da vida: equilíbrio entre perda e renovação

A vida é marcada por ciclos: nascimento e morte, crescimento e decadência, começos e fins. Esses ciclos nos lembram que a existência é impermanente, mas também cheia de renascimentos. O filósofo estoico Marco Aurélio refletia sobre essa natureza cíclica da vida em suas Meditações, observando que tudo na natureza segue um fluxo. Para ele, aceitar esse fluxo era a chave para viver com tranquilidade e sabedoria. "Tudo o que acontece é tão natural quanto as flores que desabrocham na primavera e as folhas que caem no outono", escreveu.

Essa percepção também aparece nas tradições orientais, como no budismo. O conceito de impermanência (ou anicca) é central na filosofia budista, que nos ensina a aceitar que tudo na vida é transitório. A dor, a alegria, as perdas e os ganhos – todos passam. No entanto, essa impermanência não deve ser motivo de tristeza, mas de gratidão. Cada momento é único precisamente porque é passageiro.

A alegria como resistência

Como, então, encontrar alegria em meio à transitoriedade e à certeza da morte? A resposta pode estar na forma como vivemos o presente. A alegria, nesse sentido, não é um estado permanente, mas uma atitude, um modo de estar no mundo. Viktor Frankl, psiquiatra e sobrevivente do Holocausto, descreveu em Em Busca de Sentido como, mesmo nas condições mais extremas, o ser humano pode encontrar sentido e beleza. Para Frankl, o sentido da vida não é algo dado, mas algo que criamos, mesmo nas situações mais adversas.

Além disso, a alegria pode ser vista como uma forma de resistência. Em um mundo marcado pela fragilidade e pela incerteza, celebrar a vida é um ato de coragem. É o que nos ensina o poeta Fernando Pessoa, quando diz: "Tudo vale a pena, se a alma não é pequena." A vida, com todos os seus desafios, ainda é um presente incomensurável.

A vida como paradoxo: causa perdida e oportunidade

No fundo, a vida é simultaneamente uma causa perdida e uma oportunidade. É perdida porque sabemos que terá um fim, mas é uma oportunidade porque, enquanto dura, podemos preenchê-la com significado. Essa dualidade é o que torna a existência tão rica e fascinante. Como escreveu o filósofo francês Blaise Pascal: "O homem não é nem anjo nem besta, mas algo entre os dois." Vivemos divididos entre a nossa fragilidade e a nossa capacidade de transcendê-la.

Talvez, portanto, a melhor maneira de viver seja aceitar esse paradoxo. Não precisamos escolher entre a causa perdida e a oportunidade – podemos abraçar ambos. A morte, longe de ser um inimigo, pode ser um lembrete constante de que cada momento conta, de que cada encontro é precioso, de que cada dia é uma chance de recomeçar. Afinal, como disse o poeta Mario Quintana: "A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa."

E que tarefa mais nobre poderíamos desejar?

Clique para ler mais...

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

A VOLTA DO MESTRE – Conversa com o Aprendiz

 

A VOLTA DO MESTRE – Conversa com o Aprendiz

 

Por M.´.I.´. Luis Genaro L. Figoli (Moshe)

Grau 33° REAA

 

No Templo:

Mestre: Bem-vindo, meu jovem. Hoje, vamos explorar juntos alguns dos conceitos mais profundos da existência humana. Vamos começar pela natureza da vida. O que você acha que é a vida, meu aprendiz?

Aprendiz: Mestre, a vida, em sua essência, é um presente. É a capacidade de experimentar, aprender, crescer e evoluir. É a manifestação da energia e da consciência em um corpo físico.

 Mestre: Excelente observação. A vida é, de fato, um presente precioso. Mas também é efêmera. Cada ser vivo, incluindo nós, tem um tempo limitado neste mundo. E é essa finitude que nos leva a refletir sobre a justiça e a moral. O que você pensa sobre a justiça, meu aprendiz?

Aprendiz: Justiça é o princípio que visa a equidade e a imparcialidade. Envolve dar a cada um o que é devido, baseado em regras e valores estabelecidos. É a busca por um equilíbrio entre o certo e o errado.

 Mestre: Você está certo. A justiça é a base da sociedade. Ela assegura que as pessoas sejam tratadas com dignidade e respeito. No entanto, a moral desempenha um papel igualmente importante. Qual a sua compreensão da moral, meu aprendiz?

Aprendiz: A moral é o conjunto de princípios e valores que guia nosso comportamento. Ela determina o que é certo e errado, muitas vezes baseada em normas culturais e éticas pessoais. A moral nos ajuda a fazer escolhas que são consistentes com nossas crenças e valores.

Mestre: Exatamente, a moral é uma bússola interna que nos ajuda a navegar pelas complexidades da vida. É importante notar que a moral varia de pessoa para pessoa e de cultura para cultura. E isso nos leva a uma questão crucial: como podemos discernir o que é verdadeiramente sábio em meio a tantas perspectivas diferentes?

Aprendiz: Mestre, a sabedoria parece ser a capacidade de aplicar um discernimento profundo e uma compreensão clara para tomar decisões que beneficiem a nós mesmos e aos outros. A sabedoria nos ajuda a encontrar o equilíbrio entre a justiça e a moral, considerando a complexidade da vida.

 Mestre: Você está no caminho certo. A sabedoria é o resultado de uma busca constante pelo conhecimento e pela compreensão, aliada à experiência. É a capacidade de ver a imagem maior, de compreender a interconexão de todas as coisas, e de agir de maneira que promova o bem-estar não apenas no curto prazo, mas a longo prazo.

Aprendiz: Então, mestre, a busca pela sabedoria é a chave para encontrar a justiça e a moral em nossas vidas, mesmo diante das diferenças culturais e individuais?

 Mestre: Sim, meu jovem. A sabedoria nos ajuda a reconciliar as complexidades da vida e a tomar decisões justas e morais, independentemente das circunstâncias. É uma jornada longa e desafiadora, mas é uma jornada que vale a pena. Aprender e crescer juntos é a essência da vida, da justiça, da moral e da sabedoria.

Aprendiz: Mestre, enquanto exploramos a natureza da vida, da justiça, da moral e da sabedoria, surgem questões mais profundas. O que fazemos aqui neste mundo? De onde viemos? Existe um destino predeterminado para cada um de nós?

 Mestre: Excelentes questionamentos, meu aprendiz. A questão do propósito da vida é uma das mais antigas e complexas. Alguns acreditam que nosso propósito é moldado por nossas ações, escolhas e experiências ao longo da vida. Outros pensam que somos parte de um plano divino maior. O que você acredita?

Aprendiz: Mestre, eu acredito que nosso propósito pode ser tanto individual quanto coletivo. Acredito que cada um de nós tem a oportunidade de contribuir para o bem do mundo, deixando um legado positivo. Quanto ao destino, acredito que embora tenhamos escolhas, também somos influenciados por eventos que estão além do nosso controle.

 Mestre: Sua visão é ponderada, meu aprendiz. A ideia de destino versus livre arbítrio é um dilema antigo. Alguns acreditam que estamos predestinados a um caminho específico, enquanto outros afirmam que temos o poder de moldar nosso próprio destino. A verdade pode estar em algum lugar no meio, onde nossas escolhas individuais interagem com as forças do universo.

Aprendiz: Mestre, em meio a todas essas incertezas, o que é a fé? Como ela se encaixa nesse grande quebra-cabeça da existência humana?

 Mestre: A fé, meu jovem, é uma crença profunda e inabalável, muitas vezes transcendendo a razão e a lógica. Ela pode ser direcionada para uma divindade, um conjunto de princípios ou até mesmo na humanidade. A fé nos dá esperança e força em momentos de adversidade e incerteza, permitindo-nos encontrar significado em meio ao desconhecido.

Aprendiz: Então, mestre, a fé pode ser uma força que nos guia em nossa busca por sabedoria, justiça, moral e propósito?

 Mestre: Sem dúvida, meu aprendiz. A fé pode ser um farol que nos ilumina durante nossas jornadas em direção à compreensão mais profunda da vida e à busca por um propósito significativo. No entanto, lembre-se de que a fé é uma questão pessoal e pode variar significativamente de pessoa para pessoa. O importante é que ela nos inspire a buscar o bem e a verdade, independentemente de nossas crenças individuais.

Aprendiz: Obrigado, mestre, por compartilhar sua sabedoria. Essas conversas profundas nos ajudam a navegar pelo labirinto da existência com mais clareza e compreensão.

Mestre: Com certeza, meu aprendiz. Para enriquecer ainda mais nossa conversa, vamos abordar a resiliência, a caridade, o amor ao próximo, o espírito e a quinta essência.

Resiliência, meu jovem, é a capacidade de superar desafios, adversidades e experiências difíceis, mantendo a integridade e a determinação. Ela é um atributo fundamental que nos permite crescer e evoluir, não importa as circunstâncias.

Caridade, por sua vez, é o ato de dar, ajudar e apoiar os outros desinteressadamente. É a expressão do amor e da compaixão em ação, estendendo a mão para aliviar o sofrimento daqueles que precisam.

O amor ao próximo é um princípio que nos lembra da importância de cuidar uns dos outros. É a base da comunidade, do respeito mútuo e da solidariedade. Amar o próximo nos conecta e nos torna mais humanos.

O espírito, meu aprendiz, é a dimensão não material da existência. Envolve a busca por significado, conexão espiritual, e a compreensão do transcendente. Muitas pessoas encontram no espírito um caminho para explorar questões mais profundas da vida.

E finalmente, a quinta essência, ou o quinto elemento, é frequentemente associada ao éter, àquilo que está além dos quatro elementos tradicionais da natureza (terra, água, fogo e ar). A quinta essência representa o aspecto espiritual, etéreo e divino que permeia a existência.

Agora, meu aprendiz, com essas ideias adicionadas à nossa conversa, como você vê a interação entre resiliência, caridade, amor ao próximo, o espírito, e a quinta essência no contexto de nossa busca por sabedoria, justiça, moral e propósito?

Aprendiz: Mestre, com todas essas dimensões adicionadas, vejo que a resiliência é essencial para enfrentar os desafios que encontramos ao longo de nossa jornada em busca da sabedoria, justiça, moral e propósito. A capacidade de superar obstáculos nos ajuda a crescer e aprender com nossas experiências.

A caridade e o amor ao próximo são fundamentais para construir uma sociedade justa e moral. Ao estender a mão aos outros de maneira desinteressada, criamos um ambiente de apoio e compaixão que beneficia a todos.

O espírito, como a dimensão não material da existência, nos leva a explorar questões mais profundas e a buscar um significado mais elevado em nossa jornada. Ele pode nos guiar na direção da sabedoria e da compreensão do transcendente.

Quanto à quinta essência, ela representa a conexão com algo maior, algo divino. É a busca pela verdade absoluta e pela essência mais profunda da existência, que muitas vezes transcende as limitações da compreensão humana.

Portanto, esses elementos se entrelaçam e se complementam em nossa busca por compreender a natureza da vida, a justiça, a moral e a sabedoria. Eles nos lembram da importância de buscar um equilíbrio entre as dimensões materiais e espirituais de nossa existência, enquanto nos esforçamos para viver de acordo com os princípios que consideramos mais significativos.



Clique para ler mais...

sábado, 1 de agosto de 2015

AMOR E FELICIDADE NA MAÇONARIA – Concepções Filosóficas


AMOR E FELICIDADE NA MAÇONARIA – Concepções Filosóficas

Irm.`. Luis Genaro Ladereche Fígoli (Moshe)*
M.´. I.`.

Toda filosofia natural trabalha em função de duas dimensões, a curiosidade e a miopia

Toda a existência humana (de aproximadamente 200.000 anos) está marcada pela evolução desta espécie, a partir dessas duas premissas. A curiosidade, que nos leva a fazer as perguntas básicas de nossa existência: O que é a vida, de onde viemos, para onde vamos e o que fazemos aqui?; bem como a noção clara (inicialmente da filosofia natural – precursora da ciência – e da própria ciência atual) de que o que nos olhos “enxergam” e nossos sentidos “sentem” são meros reflexos de uma realidade maior. Na maçonaria, entendemos essa realidade maior, como a Verdade, ou a busca da Verdade.
É o que chamamos de Realidade visível. Os cinco sentidos são integrados no cérebro e criam uma sensação de realidade. A realidade “vista” é ínfima em relação ao que está acontecendo em torno de nós. Somos os únicos seres multicelulares, que têm a noção da existência. Evoluímos de estruturas simples (uni moleculares) que permearam durante mais de 3 bilhões de anos na terra. Num determinado momento, como veremos a seguir, por algum motivo, iniciou-se o processo de agregação molecular que resultou em seres mais complexos, chegando até nós. Se colocarmos a existência da terra (os 3,5 bilhões de anos) numa escala de 24 horas, a humanidade teria aparecido no último segundo do dia 31 de dezembro. Somos muito, mas muito novos na ocupação deste planeta!!!  Como já disse, somos os únicos seres com vida que têm noção da existência, que tem consciência e que são cognitivamente inteligentes.

Mas o que é a vida? Qual a energia que move nossa vida?

Entendo que a energia que move a vida é a alegria ou a felicidade. E a felicidade é um estado determinado pelo amor.

É muito comum sermos avaliados através de números: Assim salários, metas, resultados, fatias de mercado, servem como parâmetro de indicar se vivemos bem ou não. Mas vida que vale a pena é muito mais que isso.

A vida vale a pena se você consegue sorrir. A vida valeu a pena pelos abraços, pelos apertos de mão, pelos gestos de carinho, pelas sensações boas que você tenha tido ao longo do dia. Nada disso se presta para mensuração numérica.

As boas sensações têm sido reunidas AO LONGO DA HISTÓRIA DO PENSAMENTO, por detrás da palavra AMOR.

Assim, parece verdadeiro que a vida vivida com AMOR tem mais graça. Sem amor a vida e arrastada, cinza, em preto e branco. E é precisa esperar a semana inteira para que um novo entediante final de semana, separe a desgraça da semana anterior com a nova semana.

Amor nada tem a ver com a vontade. Amor foge de nosso controle. O Amor não é uma questão moral. Sim, porque moral é INTELIGÊNCIA À SERVIÇO DA VIDA. Existe MORAL toda vez que decidimos uma alternativa, toda vez que descartamos uma possibilidade de vida que decidimos não viver.

MORAL É ESCOLHA, é DECISÃO RACIONAL.

O AMOR não, o amor é SENTIMENTO. Fenômeno de nosso corpo que se presta à contemplação. Surge sem que tenhamos decidido e vai embora sem que nada possamos fazer.

AMOR e MORAL não tem nada a ver. No entanto, é fácil perceber que na hora de utilizarmos a inteligência para escolher a vida o amor é a grande referência. Já que não ama, faz como se amasse. A Moral é uma imitação do comportamento de quem ama.

AMAR é diferente de GENEROSIDADE. Quem ama se doa. Generosidade é uma imitação do amor. O generoso é aquele que dá sem amar. Somos todos generosos um dia. Mas quem ama dá por amor, sem precisar pensar, sem precisar escolher, assim é o comportamento amoroso.

Também, FIDELIDADE é uma espécie de imitação do comportamento amoroso. Quem ama é fiel. Não precisa de uma regra MORAL para não trair a confiança do ser amado. Quem ama não trai.

Mas de que AMOR estamos falando?

Qual é o AMOR a que se refere nos Ritual, quando pergunta o VM: O que é Maçonaria Irm.´. Chanceler?., e este responde: “É uma Instituição que tem por objetivo fazer FELIZ a humanidade, pelo AMOR....”

Vejamos:
1 -     Fazer FELIZ a Humanidade;
2- O instrumento é o AMOR.

   Muitos pensadores se dedicaram a decifrar esse enigma que existe apenas nos seres humanos. Somente nós somos dotados deste sentimento do amor. Os animais agem por instinto, os vegetais por uma programação genética que os faz nascer, crescer, se reproduzir e morrer.

    Três grandes Mestres se dedicaram a nos decifrar o AMOR, de maneira diferente ao longo do tempo:

O primeiro é PLATÃO (428 a 347 a.C) que foi um filósofo da Grécia Clássica, pai fundador da nossa maneira de pensar. Platão definiu AMOR como EROS. Quem vaia apresentar e definir esse amor é Sócrates, personagem principal do Platonismo. Enquanto Platão escrevia os Diálogos, era Sócrates que apresenta a versão que considera correta. Esta definição se encontra no mais famoso dos “diálogos”, chamado “O Banquete”, que traz a genialidade irritantemente simples de Platão:
“AMAR é DESEJAR

Nos amamos o que desejamos. Amamos enquanto e na intensidade que desejamos. A má notícia é que se o desejo acabou e porque o amor acabou também. Amor e desejo são a mesma coisa. Então cabe uma indagação: Se Eros é desejo, desejo é o que??
Desejo é a FALTA. Desejo é a busca do que faz falta, é a energia que opera a buscar o que não temos, o que não somos, do que não conseguimos fazer ainda. Agora na definição Platônica completa:

Você ama o que deseja e deseja o que não têm”. E quando tem, não deseja mais, então, não ama mais.

Na Maçonaria é EROS está presente. Digo que sim. A estruturação do Rito em graus é uma forma de fomentar o DESEJO de crescimento na escala até chegar ao topo da pirâmide. Desejamos o próximo nível, dispendemos energia para isso, amamos o nosso trabalho para chegar a ele. Uma vez que lá estamos, deixamos de ter desejo por esse nível, e nos interessa o próximo, e assim sucessivamente. O DESEJO é uma forma de traçar objetivos, que alcançados, deixam de ser interessantes, para efeitos de dispender energia nele. Desejo é a Falta.

A vida erótica, essa mesma que você passa o tempo inteiro perseguindo coisas que não têm, não é vida que vale a pena, pelo menos do ponto de vista de ser isso sozinho. Esta vida parece ser um saco sem fundo, sempre desejaremos o que não temos, vivendo numa busca indefinida e eterna na frustração.

O segundo pensador foi ARISTÓTELES (384 a 322 a.C.), discípulo de Platão e fundador do Liceu, professor de Alexandre O Grande, pai fundador da ciência, não concorda com Eros. O Amor não pode ser só isso, não pode ser só desejo. A vida desejante é infeliz.

O amor de Aristóteles é pelo que você já tem, pelo que você já conseguiu, pela performance que você já consegue ter, pela vida que você consegue ter. O amor é pelo mundo que está exatamente diante de cada um de nós, quando o mundo alegra.

Ele chama de Philia é o amor ALEGRIA. Amor pelo que já se tem e nos faz bem.

ALEGRIA é a passagem para um estado mais potente do próprio ser”.

Definido por ESPINOZA (1632), alegria seria um estado de potência de agir. É uma energia que te anima, e esta energia oscila. Esta energia também foi caracterizada por outros pensadores: Nietzsche de “Vontade de Potência”, Bergson de “Elã Vital”, Freud de “Libido”.

Para vivermos com ALEGRIA, precisamos nos encantar com o que fazemos. Somos indivisíveis de nós mesmos. Precisaremos conviver conosco mesmo durante toda a nossa existência, portanto, precisamos nos entender, nos compreender, nos encantar. 

Não podemos nos divorciar de nós mesmos. Quem mais nos acompanha durante a vida, somos nós mesmos. É o que filosofia se chama “A TRANSCENDÊNCIA DO EGO”. Nós somos dois: Nós mesmos e a consciência que temos de nós. Nós somos o espetáculo mais frequente para nós mesmos. Para que a vida tenha alguma chance de valer a pena, é muito importante que você consiga se encantar com o que faz, afinal de contas, o que você mesmo faz é a atividade com a que você mais convive. Se detestarmos o que fazemos, é muito provável que a nossa vida seja a maior parte de tempo TRISTE, e tristeza é quando nossa “potência de agir” estiver em baixa. No grau zero, significa a morte.

Por isso Aristóteles, quando perguntado sobre qual seria a fórmula para atingir a felicidade (ALEGRIA) ele respondeu:

Conhece-te a ti mesmo

Para finalizar, o terceiro grande Mestre foi Jesus de Nazareno (3 a.C. a 30 d.C.). O Amor de Cristo é mais sofisticado, porque não é nem o desejo, nem a alegria de quem ama. Por isso Jesus chamará de “Ágape”. Ágape é amor ao próximo. É o amor pela humanidade. Se o amor de Jesus é por qualquer um, não pode ser a alegria de quem ama, pois nem todos nos alegram, aliás o mundo tende a nos aborrecer. Também não pode ser EROS, porque não desejamos qualquer um.

Em Ágape o que importa é o amado. E o amante fará de tudo pela alegria do amado, reduzir o sofrimento do próximo.

Na Maçonaria, tenho certeza, que cada um de vocês estará recordando situações em que perceberam que poderiam proporcionar alegria para alguém, e não economizaram esforços, foram além dos protocolos, foram além do que era esperado para diminuir a tristeza, para diminuir o sofrimento, para proporcionar um sorriso a pessoas que muitas vezes você não sabia sequer o nome.

Por isso, a fórmula Maçônica de felicidade pode ser:

“Deseje demais o que te faz falta, porque a vida não vai ser boa na derrota e na frustração. Mas perceba que o desejo não basta. Permita-se a alegria. Consiga-se alegrar com o que você já tem, e sobretudo perceba, que depois de uma conquista alegradora, se você não tiver com quem se alegrar, a sua alegria durará muito pouco, morrerá pela solidão. Por isso, preocupe-se em proporcionar a alegria de que está em volta, para que a sua própria alegria e felicidade possa durar um pouco mais.

Fonte:
- Inspirado na Palestra do Prof. CLOVIS DE BARROS FILHO, Youtube;
- Wikipédia;
- “O Banquete” Platão;

- Princípios de Filosofia – Diversos Autores

* Mestre Instalado, Gr.`. 25, obreiro da B.´.A.´.R.´.L.´.S.´. Rosa dos Ventos n° 76, Or.´. de Osório/RS, juridionado à G.´.L.´.R.´.G.´.S.´.
Clique para ler mais...