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terça-feira, 1 de junho de 2010

A indumentária Maçônica e seu significado (Trajes e Luvas)

Peça de Arquitetura

Por Irm.´. Luis Genaro L. Fígoli (Moshe)

Basicamente, a uniformização da indumentária visa à harmonização do ambiente e das pessoas, gerando um clima psicológico favorável à integração e ao controle. As diversas organizações uniformizam as pessoas na busca da disciplina, do controle e da integração. É o caso das Forças Armadas, dos Estudantes, das Polícias Militares, das grandes corporações de operários, etc.

No caso da Maçonaria, a uniformização tem os mesmos benefícios já citados, além de naturalmente, os aspectos que se somam e que dizem respeito ao uso da cor preta. Na prática dos trabalhos em nossos Templos, buscamos dentre outras coisas, esotericamente, captar energias cósmicas ou fluidos positivos ou forças astrais superiores para nosso fortalecimento espiritual. Da física temos o conceito de que o preto não é cor , mas sim um estado de ausência de cores. As superfícies pretas são as mais absorventes de energias de qualquer natureza.

Então, a indumentária preta nos tornará mais receptivo e mais do que isso, nos tornará também um acumulador, uma espécie de condensador deste tipo de energia. Por outro lado, a couraça formada pela nossa roupa preta, faz com que as eventuais energias negativas que eventualmente possam entrar no Templo conosco, não sejam transmitidas aos nossos Irmãos. Por isso o Maçom veste-se de roupas pretas para participar dos trabalhos em Loja.

A indumentária recomendada para as Sessões Magnas é o terno preto, com camisa branca e gravata preta e luvas brancas. Para as Sessões Econômicas, admite-se o uso do Balandrau, que deve ser comprido e preto, complementado pelo uso obrigatório de calças, meias e sapatos pretos.

A comodidade que oferece ao usuário fez com que o Balandrau se difundisse rapidamente, mas é preciso salientar, ele deve ser comprido e ficar a um palmo do chão, pois é uma veste talar, ou seja, que vai até ao calcanhar.

Importante observar que, tanto do ponto de vista linguístico como do ponto de vista maçônico, preto e escuro não são sinônimos, conforme muitos querem. E, em assim sendo, toda indumentária que não seja preta, embora escura, não é maçonicamente adequada.

Cabe ao Venerável Mestre decidir, dentro dos princípios do bom senso e da tolerância em torno das exceções, caso algum Irmão visitante em viagem ou mesmo de algum Irmão do quadro, que por alguma razão plenamente justificável, se apresentar ao trabalho com roupa de outra cor.

Pode-se dizer que o uso de avental e de luvas brancas é a marca distintiva dos maçons. Em Sessões Magnas devem ser usadas luvas brancas, fazendo parte da indumentária obrigatória do maçom.

Para além da cor, não existem requisitos especiais quanto ao tipo e qualidade de luvas a serem usadas. Podem ser de pele, algodão ou outro tecido. Podem ser completamente brancas ou ter estampado ou bordado algum enfeite. É muito utilizado um modelo de luvas com o desenho do compasso e do esquadro.

O uso das luvas é antiquíssimo, crendo alguns que remonta ao tempo das cavernas. Homero fala de luvas nos seus poemas. Xenofonte diz que os Persas usavam luvas. Existe no Museu do Cairo uma luva de tapeçaria de linho, com cadarço de abotoamento no pulso, encontrada na tumba do jovem rei egípcio Tutancâmon . Na idade média os dignitários eclesiásticos, o Papa, os cardeais, os bispos, usavam luvas para os atos litúrgicos. Nas missas, os celebrantes usavam luvas com as cores litúrgicas do dia. Tal como o avental, a origem do uso das luvas deve buscar-se na Maçonaria Operativa.

O trabalhador em pedra, em muitas das suas tarefas, necessitava de proteger as mãos dos acidentes ou, mesmo, das normais consequências do manuseamento de materiais duros, rugosos, pesados, com arestas vivas, etc.. O uso de luvas previne pequenos ferimentos, arranhões, abrasões, decorrentes desse manuseamento. Para os Maçons Operativos, portanto, o emprego de luvas não tinha qualquer outra utilidade a não ser o de proteção das mãos durante o trabalho. Daí o costume típico daquela época de um novo membro, após sua admissão, presentar os outros membros da confraria com um par de luvas. Com a transição da Maçonaria Operativa para a Maçonaria Especulativa, manteve-se a tradição do uso de luvas.

Mas se a tradição se manteve, ironicamente o propósito inverteu-se. É que, na Maçonaria Especulativa, o uso de luvas não se destina a proteger as mãos do ambiente, mas, pelo contrário, a proteger o ambiente das mãos. Explicando:
Uma das regras que é frequentemente lembrada aos maçons é a de que estes "devem deixar os metais à porta do Templo", isto é, não devem transportar para o interior da Loja condutas, conflitos, interesses, competições, comportamentos, de natureza profana. Em Loja, nada disso tem lugar.

O espaço da Loja - e não me refiro apenas ao espaço físico, mas também, e essencialmente, à dimensão espiritual - não deve ser conspurcado com imperfeições de natureza profana. Para que o maçom possa tranquilamente, com a ajuda de seus Irmãos, trabalhar no seu aperfeiçoamento, deve estar inserido num ambiente livre da poluição das imperfeições do dia a dia. O interior do Templo deve, assim, estar livre de metais, por estes se entendendo tudo o que é negativo, imperfeito, inerente às fraquezas humanas.

No entanto, o maçom, se busca aperfeiçoar-se, é porque se reconhece imperfeito. E imperfeito em si mesmo. Por muito que cuide, por muito que faça, embora procure deixar os metais à porta do Templo, alguns inevitavelmente ele transporta para o seu interior, porque ínsitos (ainda, espera-se...) nele mesmo. Então, assim se reconhecendo imperfeito, logo poluidor do ambiente do Templo, logo susceptível de dificultar o aperfeiçoamento de seus Irmãos - quando o objetivo comum é precisamente o inverso... - o maçom simbolicamente protege o ambiente e seus Irmãos de suas imperfeições, usando as luvas. Assim, a sujidade que ainda permanece em suas mãos não conspurca o Templo, os objetos nele existentes, os seus Irmãos.

Ou seja, o maçom em Loja usa luvas brancas, não para se proteger do que, exterior a si, o possa afetar, mas para proteger o ambiente e os demais daquilo que, existente em si, os possa prejudicar.

Este, no meu entendimento, a lição que se pode extrair do simbolismo do uso das luvas pelos maçons em Loja.

Daqui decorre, por exemplo, que, ao contrário da prática social, em que o enluvado se desluva para cumprimentar outrem, os maçons, no interior do Templo saúdam-se sempre com as respectivas luvas postas.

Há, no entanto, três situações correntes em que o maçom em Loja deve retirar uma ou ambas as luvas. Uma, quando manuseia dinheiro, pois, por natureza, o vil metal conspurca - e o seu manuseio em Loja, designadamente quando se reúnem fundos para ações de solidariedade, é um mal necessário - e não deve assim sujar a luva, que deve permanecer limpa; segunda, quando o maçom assume compromissos sobre as três Grandes Luzes da Maçonaria - o Volume da Lei Sagrada, o Compasso e o Esquadro -, caso em que apõe a mão nua sobre esses três artefatos, em sinal de que o compromisso é assumido pelo Homem inteiro, com suas qualidades e defeitos, com suas forças e suas imperfeições, confiando em que o contato entre essas três Grandes Luzes e si próprio redundará no seu aperfeiçoamento, não na perda de qualidades daquelas; a terceira, na Cadeia de União, em que os maçons se dão as mãos, despojadas de luvas, em sinal de união e de comunhão de esforços, juntando-se numa Cadeia em que cada um se reconhece como o elo mais fraco, mas em que todos buscam fortalecer-se, transmitindo-se e unindo todos suas forças e fraquezas, cientes de que as forças de todos combinadas gerarão um poder mais forte do que a mera soma delas e de que as fraquezas de cada um mais eficazmente são combatidas com a ajuda de todos.

Eis porque o maçom usa luvas brancas.

Fonte:
Pedro Juchem, M.'.M.'. - Loja Venâncio Aires II, nº 2369, GOB RS , Or.'. Venâncio Aires, RS, Brasil.  http://www.construtoresdavirtude.com.br/pag_indumentaria.htm
- Diversos artigos na Internet
- Castellani, José – Curso Básico de Liturgia e Ritualística;
-Rodrigues da Silva, Robson – Reflexos da Senda Maçônica.

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6 comentários:

Célia disse...

Tudo muito apropriado,elegante e justo. Cada dia acho mais fascinante conhecer a forma que tudo é conduzido na ordem.

Luis Genaro disse...

Obrigado Célia pelos comentários em nosso Blog. Continua nos prestigiando que será um prazer.

Roger Campos disse...

Luis Genaro, esta noite, tive um sonho, onde me vi trajando um avental branco com varios adornos dourados, e punhos e faixa respectivamente douradas, e minha mãe estava sentada minha direita, enquanto estava em pe sendo orientado por um senhor de trajes escuros e luvas brancas. Nao sou maçon, mas os admiro. Gostaria de saber tem algum traje como o do sonho. Um abraço Roger TdCampos

Antonio Nival Campos disse...

É muito importante quando o ser humano se despe da vaidade,do egoísmo e do orgulho, compartilhando com o próximo os seus conhecimentos, por que há de chegar o dia da partida para o Oriente Eterno, lugar que não se leva nada em termos de bens materiais e sim as boas obras. É isso que o Luis Genaro, está fazendo.
Antonio Nival

joão santana disse...

Excelente explicação, estou cada vez mais fascinado pela maçonaria,esse instrumento de transformação do caráter.

Luiz FERNANDO Baltar disse...

Gostaria de sugerir ao ESPAÇO do MAÇON,que mostrassem e explicassem a Vestimenta (Avental e indumentárias) Maçônica, deste o Aprendiz até o último Grau, além das Vestimentas diferenciadas de M.'. Instaladores, etc... Será ótimo para quem está iniciando OU gostaria de ser, conhecer melhor os significados de cada passo, pois muitas vezes me perguntam sobre fotos e imagens, o que quer dizer ou significar.Espero ter me feito entender. Um T.'.F.'.A.'.
IIr.'. Luiz Fernando Baltar.'.